{"id":4207,"date":"2012-04-22T18:51:58","date_gmt":"2012-04-22T21:51:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/?p=4207"},"modified":"2012-04-22T18:51:58","modified_gmt":"2012-04-22T21:51:58","slug":"4207","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2012\/04\/22\/4207\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p>Portugal planejou a conquista do Brasil<\/p>\n<p>Em 22 de abril de 1500, a esquadra portuguesa, composta por dez naus e tr\u00eas caravelas, sob as ordens do fidalgo Pedro \u00c1lvares Cabral, chegou ao litoral baiano &#8211; o local exato do desembarque ainda \u00e9 motivo de discuss\u00e3o entre moradores de Porto Seguro e de Ba\u00eda Cabr\u00e1lia. Alguns continuam insistindo em usar a express\u00e3o &#8220;descobrimento do Brasil&#8221;, quando o correto \u00e9 &#8220;conquista do Brasil&#8221;, gostem ou n\u00e3o os simpatizantes do colonialismo lusitano.<\/p>\n<p>O termo deturpado passou a ser comum depois do decreto de Felipe II, da Espanha, em 1556, proibindo o uso da express\u00e3o &#8220;conquista da Am\u00e9rica&#8221; nos documentos oficiais, porque preservava na mem\u00f3ria a exist\u00eancia de guerra, invas\u00e3o, massacre, luta entre o conquistador europeu e os povos americanos ou pr\u00e9-colombianos. Tal decreto alcan\u00e7ou o Brasil quando este passou a pertencer \u00e0 coroa espanhola durante a crise sucess\u00f3ria, de 1580 a 1640. E para camuflar a\u00e7\u00f5es violentas dos colonizadores portugueses, tornou-se comum ouvir que &#8220;Pedro \u00c1lvares Cabral descobriu o Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>firmar a descoberta do Brasil pelos portugueses pressup\u00f5e a cren\u00e7a de que estes desconheciam a exist\u00eancia destas terras. Sendo assim, n\u00e3o haveria sentido em o rei dom Jo\u00e3o II lutar pela assinatura de um tratado com a Espanha que favorecesse seu pa\u00eds, assegurando-lhe boa por\u00e7\u00e3o de terras no novo continente, cerca de seis anos antes da chegada de Cabral.<\/p>\n<p>Inter Coetera<\/p>\n<p>Com o retorno de Colombo \u00e0 Europa, em 1492, ap\u00f3s a primeira viagem \u00e0 Am\u00e9rica, os reis cat\u00f3licos da Espanha, Isabel de Castela e Fernando de Arag\u00e3o, trataram de garantir as terras conquistadas solicitando ao papa Alexandre VI &#8211; Rodrigo Borgia -, que era espanhol, um documento concedendo-lhes os direitos de posse. Assim, a Bula Inter Coetera (Entre Outras Coisas) delegava todas as terras do Ocidente ao reino espanhol. Trabalhando r\u00e1pido, os espi\u00f5es palacianos alertaram dom Jo\u00e3o II, de Portugal, que protestou e amea\u00e7ou iniciar um conflito na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>No ano seguinte, 1493, pressionado pela ala cat\u00f3lica portuguesa, o papa Alexandre VI assinou a segunda Bula Inter Coetera, estabelecendo a divis\u00e3o das terras americanas entre Espanha e Portugal. Nela, ele determinava que todas as &#8220;terras&#8221; at\u00e9 cem l\u00e9guas das ilhas de Cabo Verde seriam de Portugal, al\u00e9m disto, a oeste, seriam da Espanha. Sentindo-se enganado, pois s\u00f3 restava a Portugal o Oceano Atl\u00e2ntico, o rei amea\u00e7ou novamente iniciar uma guerra contra a Espanha.<\/p>\n<p>Apavorados, os espanh\u00f3is recorreram ao chefe da Igreja que, em 1494, emitiu a terceira Bula Inter Coetera, tra\u00e7ando nova linha imagin\u00e1ria a 370 l\u00e9guas das ilhas de Cabo Verde. As condi\u00e7\u00f5es foram aceitas e o acordo assinado em 7 de junho na cidade espanhola de Tordesilhas, dando nome ao tratado divis\u00f3rio. O jornalista e historiador Eduardo Bueno, em Capit\u00e3es do Brasil, corrobora com esse fato. &#8220;Em 1494, castelhanos e portugueses tinham dividido o mundo ente si. Alijados daquela partilha, os franceses n\u00e3o aceitavam a validade jur\u00eddica dos acordos firmados na pequena cidade de Tordesilhas&#8221;, pois contra este se levantou o rei franc\u00eas Francisco I, perguntando onde estava &#8220;o testamento de Ad\u00e3o dividindo o mundo entre Portugal e Espanha&#8221;.<\/p>\n<p>Outros conquistadores<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que outro navegador (ou outros) aportou por aqui antes de 1500, conforme documentos da \u00e9poca. Em 1498, o rei dom Manuel ordenou a Duarte Pereira viajar pela mesma rota de Vasco da Gama. Entretanto, em seu relato, no livro Esmeraldo de situ orbi, Duarte Pereira cita a ordem secreta do rei mandando &#8220;descobrir a parte ocidental, passando al\u00e9m da grandeza do mar Oceano, onde foi achada e navegada uma t\u00e3o grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes&#8221;. Talvez, a este, deva-se o m\u00e9rito de ser o primeiro portugu\u00eas a chegar ao Brasil.<\/p>\n<p>Sabe-se hoje que os fen\u00edcios (s\u00e9c. X ao IV a.C.) estiveram no Rio de Janeiro, conforme inscri\u00e7\u00f5es (contestadas por pesquisadores) na Pedra da G\u00e1vea. Al\u00e9m destes, outros fen\u00edcios, sob as ordens do rei Zedequias de Jud\u00e1, estiveram na Argentina, pr\u00f3ximo a La Rioja. No ano 1000 d.C. o viking Leif Erickson alcan\u00e7ou a costa canadense, bem antes do italiano Giovanni Caboto levar os m\u00e9ritos da tal fa\u00e7anha, em 1497, a servi\u00e7o da coroa brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>Ensina-se, ent\u00e3o, \u00e0s crian\u00e7as, que portugueses e espanh\u00f3is &#8220;descobriram&#8221; uma terra com cerca de 88 milh\u00f5es de habitantes e n\u00e3o um vazio demogr\u00e1fico. Uma contradi\u00e7\u00e3o em termos. Al\u00e9m disso, alguns dos povos pr\u00e9-colombianos eram muito mais avan\u00e7ados em civiliza\u00e7\u00e3o do que qualquer na\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Os astecas, no M\u00e9xico, dominavam as t\u00e9cnicas da ourivesaria, cer\u00e2mica e tecelagem, realizavam grandes constru\u00e7\u00f5es e tinham escrita e calend\u00e1rio pr\u00f3prios. J\u00e1 os maias constru\u00edram grandes pir\u00e2mides e criaram um calend\u00e1rio muito preciso, tendo tamb\u00e9m um sistema de escrita. Enquanto os europeus estavam presos \u00e0 ignor\u00e2ncia e ao atraso cient\u00edfico, estes estudavam o espa\u00e7o em observat\u00f3rios de astronomia. Na Am\u00e9rica do Sul, uma das mais avan\u00e7adas civiliza\u00e7\u00f5es do Ocidente, a incaica, pavimentava estradas, constru\u00eda aquedutos e canais de irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns podem apontar as mazelas existentes entre os povos nativos como provas de sua brutalidade e incivilidade. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se esquecer da viol\u00eancia empregada pela inquisi\u00e7\u00e3o na Europa, as infind\u00e1veis guerras e invas\u00f5es justificadas sob o pretexto da expans\u00e3o da f\u00e9 ou da vaidade de nobres ac\u00e9falos. Portanto, o que ocorreu a partir de 1492 foi a invas\u00e3o da Am\u00e9rica pelos portugueses e espanh\u00f3is que, impiedosamente, em nome do cristianismo esp\u00fario, barbarizaram milh\u00f5es de habitantes deste continente, conquistando-o definitivamente.<\/p>\n<p>E foi esse perfil grotesco que norteou parte das caracter\u00edsticas dos habitantes das futuras na\u00e7\u00f5es do continente, muito bem-retratadas em Terra Papagalli pelos jornalistas e romancistas Jos\u00e9 Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta: &#8220;E daquela terra que hoje chamam Brasil, esquecendo o nome que lhe deram seus primeiros moradores, digo que pouco proveito se pode tirar dela, porque vem se povoando com homens cobi\u00e7osos&#8230; est\u00e1 bem parecida com a nossa (Portugal), onde reinam a burla, a roubaria e mais pode quem \u00e9 mais velhaco&#8230; naquela terra de fomes tantas e lei t\u00e3o pouca, quem n\u00e3o come \u00e9 comido.&#8221; N\u00e3o h\u00e1 necessidade de se interpretar a fiel representa\u00e7\u00e3o delineada por Torero e Pimenta. Quem l\u00ea, entenda conforme a \u00e1gua agita sua embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(Texto baseado em &#8220;Cabral Conquistou o Brasil&#8221;, artigo publicado em O Estado do Paran\u00e1, em 22\/4\/1997, e no livro Liberdade Vigiada, em 2002)<br \/>\nFonte: Assis Ribeiro &#8211; Outra Leitura<br \/>\nPostado por Ernesto Albuquerque<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal planejou a conquista do Brasil Em 22 de abril de 1500, a esquadra portuguesa, composta por dez naus e tr\u00eas caravelas, sob as ordens do fidalgo Pedro \u00c1lvares Cabral, chegou ao litoral baiano &#8211; o local exato do desembarque ainda \u00e9 motivo de discuss\u00e3o entre moradores de Porto Seguro e de Ba\u00eda Cabr\u00e1lia. 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