{"id":3589,"date":"2011-11-24T15:20:35","date_gmt":"2011-11-24T18:20:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/?p=3589"},"modified":"2011-11-24T15:20:35","modified_gmt":"2011-11-24T18:20:35","slug":"reforma-psiquiatrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2011\/11\/24\/reforma-psiquiatrica\/","title":{"rendered":"REFORMA PSIQUI\u00c1TRICA"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<div>\n<div>\n<h1><a href=\"http:\/\/www.tribunademinas.com.br\/cidade\/tratamento-desumano-inicia-reforma-psiquiatrica-no-pais-1.990998\" target=\"_blank\">Tratamento desumano inicia reforma psiqui\u00e1trica no pa\u00eds<\/a><\/h1>\n<\/div>\n<p>Por\u00a0<strong>Daniela Arbex<\/strong><\/p>\n<p><a name=\"more\"><\/a>Minas produziu a maior trag\u00e9dia da loucura no pa\u00eds, atrav\u00e9s do Hospital Col\u00f4nia, mas acolheu os primeiros movimentos pela reforma psiqui\u00e1trica. Assim como na Inconfid\u00eancia Mineira, importante movimento social da hist\u00f3ria do Brasil, ocorrido em 1789, a luta pela mudan\u00e7a de paradigma na sa\u00fade mental, deflagrada oficialmente em 1979, contou com a ajuda de insurgentes. Alguns dos psiquiatras que se rebelaram contra a desumanidade de Barbacena, localizados agora pela Tribuna, foram, na \u00e9poca, exonerados do servi\u00e7o p\u00fablico, responderam a sindic\u00e2ncia no seu \u00f3rg\u00e3o de classe, sendo ainda hostilizados por colegas que se calaram, por d\u00e9cadas, diante do genoc\u00eddio ocorrido na Col\u00f4nia. Mas a\u00ed j\u00e1 era tarde. Os por\u00f5es da loucura ganharam voz, com a ajuda das den\u00fancias do psiquiatra italiano Franco Basaglia, do cineasta Helv\u00e9cio Ratton e do jornalista Hiram Firmino, ambos brasileiros, cujos ecos alcan\u00e7aram o mundo. O exterm\u00ednio em massa de enjeitados chocou a opini\u00e3o p\u00fablica da Europa e dos Estados Unidos, desencadeando um senso de urg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um modelo de atendimento humanizado.<\/p>\n<div>\n<div><a title=\"  \" href=\"http:\/\/www.tribunademinas.com.br\/polopoly_fs\/1.991000.1322091080%21\/image\/2480348862.jpg\" target=\"_blank\"><\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" title=\"Foto:  \" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.tribunademinas.com.br\/polopoly_fs\/1.991000.1322091080%21\/image\/2480348862.jpg_gen\/derivatives\/landscape_400\/2480348862.jpg?resize=400%2C276\" alt=\" \" width=\"400\" height=\"276\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><\/a><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas feitas por m\u00e9dicos contra o &#8220;campo de concentra\u00e7\u00e3o&#8221; da Col\u00f4nia ocorreram na d\u00e9cada de 70. De maneira isolada, alguns psiquiatras romperam a cultura do sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o ao massacre de Barbacena, sendo, por isso, perseguidos. O psiquiatra e escritor Ronaldo Sim\u00f5es Coelho, atualmente com 80 anos, chegou a ser expulso do servi\u00e7o p\u00fablico em 1979, ap\u00f3s revelar as mazelas da Col\u00f4nia, em artigo escrito para o III Congresso Mineiro de Psiquiatria que aconteceria em novembro daquele ano, em Belo Horizonte (atualmente na sua XIII edi\u00e7\u00e3o). Ele trabalhava para a Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Estado de Minas Gerais, que passou a gerir a totalidade dos hospitais p\u00fablicos do Estado, em 1977, per\u00edodo em que as antigas funda\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia de sa\u00fade do estado se fundiram. Ap\u00f3s o ato de ousadia, Sim\u00f5es perdeu o emprego. &#8220;O superintendente, na \u00e9poca, sentiu-se ofendido e me expulsou sem saber se eu precisava daquele emprego para sustentar minha fam\u00edlia&#8221;, relembra ele. No artigo, Sim\u00f5es citava a &#8220;Divina Com\u00e9dia&#8221; de Dante e usava a met\u00e1fora do inferno para se referir ao hospital. Hoje ele fala sobre a vergonha diante de um hosp\u00edcio que tratava pacientes como &#8220;animais&#8221; e da vergonha de se intitular m\u00e9dico psiquiatra num contexto como aquele. &#8220;Tive n\u00e3o s\u00f3 vergonha social, mas uma certa revolta diante de todos aqueles acontecimentos. O doido de Barbacena n\u00e3o era tratado como gente. Infelizmente a loucura continua sendo algo desprezado.&#8221;<\/p>\n<p>Membro da Associa\u00e7\u00e3o de Psiquiatria Brasileira, Francisco Paes Barreto, 68 anos, tamb\u00e9m denunciou, em 1979, as condi\u00e7\u00f5es dos hospitais psiqui\u00e1tricos em Minas. A publica\u00e7\u00e3o de suas cr\u00edticas na imprensa mineira resultaram na abertura de sindic\u00e2ncia pelo Conselho Regional de Medicina, sob acusa\u00e7\u00e3o de ele ter infringido a \u00e9tica m\u00e9dica. Apesar das retalia\u00e7\u00f5es, Barreto sabia que era necess\u00e1rio fazer alguma coisa. &#8220;A toler\u00e2ncia m\u00f3rbida dos psiquiatras se estendeu ao meio m\u00e9dico, em cujas faculdades os cursos de anatomia eram abastecidos por generosa quota de cad\u00e1veres provenientes de Barbacena. Os hospitais de cr\u00f4nicos da rede p\u00fablica eram &#8220;institui\u00e7\u00f5es finais&#8221;, numa alus\u00e3o \u00e0 &#8220;solu\u00e7\u00e3o final&#8221; do nazismo. As den\u00fancias sobre a realidade brutal de nossos hospitais psiqui\u00e1tricos, enquanto permaneceram restritas aos meios profissionais, mostraram-se inteiramente in\u00f3cuas, pois havia uma acomoda\u00e7\u00e3o, na qual todo aquele horror tornara-se banal. Na imprensa, as den\u00fancias repercutiram&#8221;, relembra o psiquiatra. Quando a realidade da col\u00f4nia veio \u00e0 tona, as cr\u00edticas de Barreto revelaram-se brandas diante daquele holocausto brasileiro. Pouco tempo depois, a sindic\u00e2ncia aberta contra ele foi arquivada por unanimidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Visibilidade mundial para &#8216;campo de concentra\u00e7\u00e3o&#8217;<\/h1>\n<p>Em julho daquele mesmo ano, o psiquiatra italiano Franco Basaglia, com ent\u00e3o 55 anos, desembarcou no Brasil para realizar uma s\u00e9rie de visitas aos hosp\u00edcios do pa\u00eds. Ele foi respons\u00e1vel pela mais importante reforma do sistema de sa\u00fade mental da It\u00e1lia, e o servi\u00e7o hospitalar dirigido por ele, na cidade de Trieste, foi considerado, em 1973, refer\u00eancia mundial da reformula\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Ao tomar conhecimento da vinda de Basaglia ao pa\u00eds, o psiquiatra mineiro Ant\u00f4nio Soares Simone, hoje com 61 anos, convidou o colega italiano para visitar Minas, a fim de apresentar a ele as institui\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas p\u00fablicas: Instituto Raul Soares, Hospital Galba Veloso, ambos na capital, e o Hospital Col\u00f4nia em Barbacena. Na \u00e9poca, Simone era professor da resid\u00eancia de psiquiatria do Instituto Raul Soares.&#8221;O Hospital Col\u00f4nia sempre foi um extremo inc\u00f4modo para mim. Ainda era acad\u00eamico de medicina quando ia l\u00e1 examinar pacientes, porque n\u00e3o havia psiquiatra em n\u00famero suficiente, em fun\u00e7\u00e3o do contingente absurdo de gente l\u00e1. Em Barbacena, os pacientes eram exterminados, e ningu\u00e9m procurava saber onde eram fabricados os cad\u00e1veres que alimentavam as salas de anatomia das faculdades. Aquela situa\u00e7\u00e3o deveria ser angustiante para todos os m\u00e9dicos, mas a maioria tinha defesas e negava a situa\u00e7\u00e3o para si. Isso fez com que se mantivessem em sil\u00eancio durante d\u00e9cadas&#8221;, critica Simone.<\/p>\n<p>Foi o pr\u00f3prio Simone quem levou Basaglia de carro a Barbacena, naquela \u00faltima semana de julho de 1979. O psiquiatra mineiro conta que, ap\u00f3s conhecer o Hospital Col\u00f4nia, o colega italiano passou a viagem de volta a Belo Horizonte, em sil\u00eancio. &#8220;Ele estava estarrecido. Quando chegamos a Belo Horizonte, fomos direto para a Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Mineira, onde ele estava dando um curso de psiquiatria social. Ao final da confer\u00eancia, me pediu para acionar a imprensa e come\u00e7ou a falar sobre o que viu, comparando Barbacena a um campo de concentra\u00e7\u00e3o nazista. Basaglia me disse que em lugar nenhum do mundo havia presenciado uma trag\u00e9dia como aquela. A entrevista caiu como uma bomba fora do pa\u00eds. O &#8220;New York Times&#8221; foi um dos jornais que se interessou pela hist\u00f3ria. Basaglia deu visibilidade mundial a trag\u00e9dia da loucura mineira&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Simone foi processado pelos hospitais psiqui\u00e1tricos, e a cassa\u00e7\u00e3o de seu diploma foi cogitada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). &#8220;Sinto-me realizado como m\u00e9dico por n\u00e3o ter partido para a nega\u00e7\u00e3o daquela trag\u00e9dia. O fato de aquelas den\u00fancias terem colocado fim \u00e0 f\u00e1brica de cad\u00e1veres e ao grande sofrimento humano vividos em Barbacena me satisfaz. Apesar de toda persegui\u00e7\u00e3o que sofri, cumpri a minha fun\u00e7\u00e3o m\u00e9dica&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>O psiquiatra Paulo Henrique Resende Alves, 64 anos, revela que Basaglia foi o grande inspirador do movimento antimanicomial do pa\u00eds. Ap\u00f3s sua passagem pelo Brasil, a Associa\u00e7\u00e3o Mineira de Sa\u00fade Mental, fundada por Ronaldo Sim\u00f5es Coelho e aberta para quem se interessasse pelo tema, ganhou for\u00e7a, abrindo as portas para os militantes &#8220;basaglianos&#8221;. &#8220;A partir daquele momento, tornei-me um militante dessa luta e, durante os anos em que fui professor de Psiquiatria Social da UFMG, transmiti esses conceitos para os meus alunos&#8221;, acrescenta Paulo Henrique, eleito presidente da Associa\u00e7\u00e3o Mineira de Psiquiatria em 1981.<\/p>\n<p>Em 1980, a Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), \u00e0 qual pertencem os hospitais psiqui\u00e1tricos p\u00fablicos mineiros, aprovou o Projeto de Reestrutura\u00e7\u00e3o da Assist\u00eancia Psiqui\u00e1trica, que acolhia as teses do III Congresso Mineiro de Psiquiatria. Os por\u00f5es da loucura, finalmente, come\u00e7aram a ser abertos.<\/p>\n<h1>Dissecando os por\u00f5es da loucura<\/h1>\n<p>Se Franco Basaglia foi decisivo para a implanta\u00e7\u00e3o do movimento da reforma psiqui\u00e1trica mineira, o jornalista Hiram Firmino, 61 anos, foi o grande porta voz dos pacientes de Barbacena. Ele \u00e9 o autor da s\u00e9rie de reportagens &#8220;Os por\u00f5es da loucura&#8221;, publicada, em 1979, no jornal &#8220;Estado de Minas&#8221;, onde trabalhou por mais de 20 anos. Um dos m\u00e9ritos de Hiram, com 30 anos \u00e0 \u00e9poca, foi conseguir entrar no subterr\u00e2neo da loucura. Dezoito anos ap\u00f3s as den\u00fancias da revista &#8220;O Cruzeiro&#8221;, feitas, em 1961, pelo fot\u00f3grafo Luiz Alfredo, nenhum outro jornalista havia conseguido transpor os muros da Col\u00f4nia. Hiram n\u00e3o s\u00f3 conseguiu entrar, mas despertar na sociedade a necessidade de mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O interesse pelo tema sempre acompanhou Hiram. O jornalista abrigou em sua casa, por dois anos, com o apoio da esposa, uma mulher conhecida como &#8220;a louca de Inhabim&#8221;. A hist\u00f3ria da professora prim\u00e1ria de 37 anos que buscava cura para a sua esquizofrenia tocou Hiram, que acabou fazendo com ela uma via crucis, a procura de tratamento. &#8220;No final, ela me disse que estava igual a uma rosa. Em cada lugar que ia, tiravam uma p\u00e9tala. Taninha acabou se matando. Quando ela morreu, contei sua hist\u00f3ria no &#8220;Estado de Minas&#8221; e muitas pessoas vieram me dizer que eu n\u00e3o tinha visto nada, pois Barbacena era muito pior. A\u00ed fiquei com esse neg\u00f3cio na cabe\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>A autoriza\u00e7\u00e3o para dissecar Barbacena e os hospitais psiqui\u00e1tricos mineiros veio durante uma entrevista feita pelo jornalista com o ent\u00e3o secret\u00e1rio de sa\u00fade do estado, Levindo Coelho, em 1979. &#8220;Meu editor pediu para fazer uma reportagem sobre Doen\u00e7a de Chagas e me mandou entrevistar o presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica de Minas Gerais. Distra\u00eddo, eu fui para a Secretaria de Estado da Sa\u00fade, cujo secret\u00e1rio era o Levindo Coelho. Como j\u00e1 estava l\u00e1, resolvi entrevist\u00e1-lo e o achei muito progressista. Havia uma efervesc\u00eancia sobre a situa\u00e7\u00e3o manicomial, com a vinda do Franco Basaglia ao Brasil. Por isso, perguntei a ele o que pensava sobre isso e como ele respondeu com indigna\u00e7\u00e3o ao atual quadro dos hospitais, pedi para visitar as institui\u00e7\u00f5es. Ele franqueou a minha entrada&#8221;, lembra Hiram.<\/p>\n<p>O jornalista conseguiu fazer uma ampla radiografia do setor e n\u00e3o saiu inc\u00f3lume daquela experi\u00eancia. &#8220;Como todo mundo, eu era cheio de problema existencial. Quando eu entrei l\u00e1, fiquei com vergonha das minhas depress\u00f5es. Ao ver aqueles muros de n\u00e3o sei quantos metros de altura, percebi que as pessoas s\u00f3 sairiam mortas dali. Diante daquela trag\u00e9dia, meus problemas se reduziram a p\u00f3. Na hora, eu criei uma armadura. Mas quando baixei a guarda, chorei muito. Aquilo \u00e9 que era sofrimento&#8221;, conta.<\/p>\n<p>As mat\u00e9rias assinadas por Hiram foram publicadas durante meses. &#8220;Muitas pessoas que entrevistei tinham apenas perdido a carteira com os documentos, outras foram pegas usando maconha e levadas para l\u00e1. O que me chocou foi a gratuidade, a falta de voz, a impot\u00eancia diante do sistema. O fato de as pessoas terem sido presas sem terem cometido crime nenhum. Apesar disso, eu n\u00e3o julguei, apenas escrevi. Com as reportagens houve uma autorreflex\u00e3o, resultando na reforma psiqui\u00e1trica. Foi algu\u00e9m de fora que pegou o espelho e mostrou: olha o que voc\u00eas est\u00e3o fazendo. S\u00f3 a informa\u00e7\u00e3o gera consci\u00eancia&#8221;, diz Hiram, que atualmente \u00e9 editor da &#8220;Revista Ecol\u00f3gica&#8221;.<\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Embri\u00e3o das resid\u00eancias terap\u00eauticas<\/strong><\/p>\n<p>O psiquiatra Jairo Toledo, que ocupa novamente a dire\u00e7\u00e3o do Centro Hospitalar Pisiqui\u00e1trico de Barbacena (CHPB), ajudou a transformar a realidade da col\u00f4nia. &#8220;Em 1980, vim para o hospital e passamos a adotar crit\u00e9rios para interna\u00e7\u00e3o, limitando a regi\u00e3o de atendimento. Passamos a ter um pavilh\u00e3o espec\u00edfico para internar os pacientes agudos. Come\u00e7amos a trabalhar com a \u00f3tica do ambulat\u00f3rio. N\u00e3o t\u00ednhamos equipe multidisciplinar, criamos duas equipes. Tiramos as celas, criamos o p\u00e1tio misto e conseguimos construir cinco casas que foram o embri\u00e3o das resid\u00eancias terap\u00eauticas no pa\u00eds. Num dado momento, representantes do Governo vieram aqui, e percebi que eles estavam cogitando n\u00e3o colocar doente mental naquelas casas. Ent\u00e3o, reuni meu pessoal e, em uma semana, fizemos a &#8216;invas\u00e3o&#8217;. Muitos desses pacientes sa\u00edram do hospital, mais tarde, para as resid\u00eancias terap\u00eauticas.&#8221;<\/p>\n<p>Atualmente Barbacena \u00e9 a cidade com maior n\u00famero de resid\u00eancias terap\u00eauticas do pa\u00eds, 28, em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de habitantes. Nelas vivem 160 pacientes, a maioria oriunda do antigo Hospital Col\u00f4nia, al\u00e9m de internos da Casa de Sa\u00fade Xavier e do Sanat\u00f3rio Barbacena. &#8220;\u00c9 uma heran\u00e7a que ficou para a gente. N\u00f3s temos o compromisso de cuidar dessa popula\u00e7\u00e3o dentro do ideal de assist\u00eancia aberta, que substitui a l\u00f3gica manicomial, em fun\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de Barbacena. Nas resid\u00eancias, eles tiveram que reaprender a se vestir, a se cuidar e se apropriar das coisas da cidade, tornando-se vis\u00edveis para a sociedade. O que temos observado \u00e9 que, mesmo depois de tudo que passaram, eles n\u00e3o perderam a esperan\u00e7a&#8221;, afirma a coordenadora das resid\u00eancias terap\u00eauticas, Leandra Mara Melo Vidal.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Fonte: Tribuna de Minas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tratamento desumano inicia reforma psiqui\u00e1trica no pa\u00eds Por\u00a0Daniela Arbex Minas produziu a maior trag\u00e9dia da loucura no pa\u00eds, atrav\u00e9s do Hospital Col\u00f4nia, mas acolheu os primeiros movimentos pela reforma psiqui\u00e1trica. 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