{"id":2952,"date":"2011-07-08T18:56:09","date_gmt":"2011-07-08T21:56:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/?p=2952"},"modified":"2011-07-08T18:56:09","modified_gmt":"2011-07-08T21:56:09","slug":"mineires-e-suas-tres-formas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2011\/07\/08\/mineires-e-suas-tres-formas\/","title":{"rendered":"MINEIR\u00caS E SUAS TR\u00caS FORMAS"},"content":{"rendered":"<h2>Minas Gerais fala o portugu\u00eas de tr\u00eas formas diferentes<\/h2>\n<p>O jeito mineiro de falar, que j\u00e1 enriqueceu o anedot\u00e1rio nacional, ainda reserva algumas surpresas. Primeira: n\u00e3o h\u00e1 apenas um jeito mineiro de falar o portugu\u00eas, mas tr\u00eas diferentes. Segunda: toda essa diversidade gerou um atlas lingu\u00edstico, que mapeou onde se fala o qu\u00ea. N\u00e3o \u00e9 um trabalho f\u00e1cil. Esse levantamento finalmente conclu\u00eddo vem sendo feito desde a d\u00e9cada de 70 pelo professor M\u00e1rio Roberto Z\u00e1gari do Departamento de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ele reuniu as informa\u00e7\u00f5es que colheu no livro do &#8220;Esbo\u00e7o de um Atlas Ling\u00fc\u00edstico de Minas Gerais&#8221;. O trabalho, que j\u00e1 tem editado o primeiro volume e engatilhados os outros dois, foi apoiado pela Fapemig, que o divulgou em seu portal. Para o trabalho, Z\u00e1gari reuniu mais de cinco mil horas de grava\u00e7\u00e3o em entrevistas com pessoas de diversos n\u00edveis sociais em 186 locais diferentes, alguns visitados diversas vezes.<\/p>\n<p><a name=\"more\"><\/a><\/p>\n<p>A regi\u00e3o norte do estado, que inclui cidades como Itamarandiba, Governador Valadares, Paracatu, V\u00e1rzea de Palma e outras, mostrou um &#8220;falar abaianado&#8221;, claramente influenciado pelo estado vizinho, a Bahia. Nessa regi\u00e3o predominam no falar as vogais pret\u00f4nicas (que surgem antes da s\u00edlaba t\u00f4nica). Fala-se &#8220;c\u00f3ra\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;l\u00e9vando&#8221;, &#8220;p\u00e9rdido&#8221;, &#8220;s\u00e9reno&#8221;, &#8220;m\u00e9lado&#8221; etc. Al\u00e9m disso, as consoantes &#8220;t&#8221; e &#8220;d&#8221;, quando surgem antes de &#8220;i&#8221; s\u00e3o mais concisas do que no resto do estado. Fala-se &#8220;saudadi&#8221; e &#8220;idadi&#8221;, enquanto no resto de Minas fala-se &#8220;saudadji&#8221; e &#8220;idadji&#8221;. Ocorre ainda a nasalidade fora da s\u00edlaba t\u00f4nica: &#8220;j\u00e3nela&#8221;, &#8220;c\u00e3neta&#8221; e &#8220;b\u00e3n\u00e3na&#8221;.<\/p>\n<p>Numa Segunda regi\u00e3o, Z\u00e1gari encontrou um &#8220;falar apaulistado&#8221;, influenciado pelo tamb\u00e9m vizinho estado de S\u00e3o Paulo (cidades como Divin\u00f3polis, Par\u00e1 de Minas e Lavras, Patos de Minas e S\u00e3o Gon\u00e7alo do Abaet\u00e9). O estilo dessa regi\u00e3o cont\u00e9m o &#8220;r&#8221; retroflexo, ou seja, a letra sempre \u00e9 pronunciada com a l\u00edngua voltando-se mais para a garganta do que para os dentes, o que se assemelha muito ao falar do caipira paulista. Isso d\u00e1 grande destaque ao &#8220;r&#8221; em palavras como &#8220;morte&#8221;, &#8220;carta&#8221;, &#8220;margem&#8221; e &#8220;cisterna&#8221;.<\/p>\n<p>Na terceria regi\u00e3o \u00e9 encontrado o falar mineiro mais t\u00edpico, que n\u00e3o tem nenhuma das caracter\u00edsticas anteriores. Nesta regi\u00e3o, que fica entre as duas \u00e1reas citadas, a tend\u00eancia \u00e9 engolir ou trocar letras e s\u00edlabas, al\u00e9m de aglutinar palavras. Fala-se &#8220;oc\u00ea&#8221; (voc\u00ea), &#8220;p\u00f3peg\u00e1&#8221; (pode pegar), &#8220;dexov\u00ea&#8221; (deixa eu ver), &#8220;mininu&#8221; (menino) e &#8220;chuvenu&#8221; (chovendo). Nessa regi\u00e3o tamb\u00e9m desaparece o &#8220;d&#8221; e o &#8220;u&#8221; substitui o &#8220;o&#8221; em express\u00f5es de ger\u00fandio, como em &#8220;andanu&#8221; (andando), &#8220;falanu&#8221; (falando) e &#8220;fazenu&#8221; (fazendo). Tamb\u00e9m se despreza os ditongos formados no meio das palavras, como em &#8220;pexe&#8221; (peixe), &#8220;faxa&#8221; (faixa) e &#8220;temoso&#8221; (teimoso) para que, paradoxalmente, se formem ditongos em s\u00edlabas finais quando a vogal \u00e9 antecedida de &#8220;s&#8221; ou &#8220;z&#8221;, como em &#8220;arroiz&#8221; (arroz), &#8220;feiz&#8221; (fez) e &#8220;treis&#8221; (tr\u00eas).<\/p>\n<p>Embora tenha definido claramente as diferen\u00e7as entre as tr\u00eas maneiras de falar, Z\u00e1gari diz que \u00e9 imposs\u00edvel determinar as fronteiras definitivas dos locais onde elas ocorrem porque h\u00e1 algumas \u00e1reas de intersec\u00e7\u00e3o e o n\u00edvel de escolaridade tamb\u00e9m imprime diferen\u00e7as nesses tipos de falar.<\/p>\n<p>Fonte: Blog do Nassif<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minas Gerais fala o portugu\u00eas de tr\u00eas formas diferentes O jeito mineiro de falar, que j\u00e1 enriqueceu o anedot\u00e1rio nacional, ainda reserva algumas surpresas. 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