{"id":2502,"date":"2011-05-06T16:52:51","date_gmt":"2011-05-06T19:52:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/?p=2502"},"modified":"2011-05-06T16:52:51","modified_gmt":"2011-05-06T19:52:51","slug":"distribuicao-de-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2011\/05\/06\/distribuicao-de-renda\/","title":{"rendered":"DISTRIBUI\u00c7\u00c3O DE RENDA"},"content":{"rendered":"<h1>Para continuar a distribuir renda<\/h1>\n<p><em>Emiliano Jos\u00e9<\/em><\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de um projeto pol\u00edtico, o da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, que segue seu curso desde o in\u00edcio de 2003, quando Lula tomou posse, leva \u00e0 necessidade de uma compreens\u00e3o do papel da pol\u00edtica para o desenvolvimento. Ou dito de outra forma, o desenvolvimento econ\u00f4mico pode ser de variada natureza, e depende essencialmente das vari\u00e1veis pol\u00edticas. N\u00e3o fosse a vit\u00f3ria de Lula em 2002, e o Brasil seria outro, e muito pior. Ao menos para o povo brasileiro.<\/p>\n<div id=\"content\">\n<p>Tenho dito com insist\u00eancia que n\u00f3s ainda n\u00e3o dominamos, como \u00e9 natural, o intenso processo de mudan\u00e7as que o Brasil est\u00e1 experimentando. \u00c9 muito mais profundo do que a nossa vista pode alcan\u00e7ar. At\u00e9 porque \u00e9 muito dif\u00edcil apreender as coisas em sua perspectiva hist\u00f3rica com os olhos do presente. Mas, tenho insistido na import\u00e2ncia de procurarmos os dados que nos deem algumas pistas do que verdadeiramente est\u00e1 ocorrendo como decorr\u00eancia das pol\u00edticas de governo. \u00c9 o esfor\u00e7o desse texto.<\/p>\n<p>A renda per capita m\u00e9dia brasileira subiu quase 24% em termos reais entre 2001 e 2009, claro que em decorr\u00eancia, sobretudo, da nova fase de desenvolvimento experimentada sob os dois mandatos do presidente Lula. Renda m\u00e9dia, no entanto, tem que ser decifrada. Quem ganhou mais nessa fase? \u00c9 uma pergunta feita pelo economista-chefe do Centro de Pol\u00edticas Sociais e professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, Marcelo Neri.<\/p>\n<p>Em artigo publicado em A Tarde (10\/4\/2011), Neri informa que a renda dos 10% mais pobres subiu mais de 69% no per\u00edodo. Isso \u00e9 que explica a explos\u00e3o positiva do consumo dos pobres, evidencia o surgimento de uma nova classe m\u00e9dia, a superlota\u00e7\u00e3o dos aeroportos, a aglomera\u00e7\u00e3o dos shoppings, a expans\u00e3o do com\u00e9rcio em todas as frentes. Esse ganho cai, e eis um dado extremamente positivo, quando a renda aumenta. E digo positivo porque significa que est\u00e1 havendo alguma distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Assim, o ganho dos 10% mais ricos foi de 12,8%, bem abaixo do ganho dos mais pobres e mais pr\u00f3ximo da m\u00e9dia. Agora, \u00e9 importante procurar elementos que nos confrontem com a desigualdade profunda que nos atormenta, e o professor Neri tamb\u00e9m trabalha com esses dados. Se considerarmos g\u00eanero, a renda das mulheres subiu quase 38%. A dos homens, pouco mais de 16%. Ponto para elas, que antes sempre viam a renda deles subir mais. E olhemos para os classificados como pretos e pardos: a renda dos primeiros sobe em torno de 43% e a dos segundos, mais de 48%.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso o t\u00edtulo do artigo do professor \u00e9 \u201cO Brasil come\u00e7a a se libertar da heran\u00e7a escravagista\u201d. Come\u00e7a. Quanto \u00e0 escolaridade, a renda das pessoas sem nenhuma escolaridade sobe nada menos que mais de 53%. A renda das pessoas com pelo menos o n\u00edvel superior incompleto cai 9% \u2013 ainda aqui outra evid\u00eancia de distribui\u00e7\u00e3o de renda. Numa an\u00e1lise regionalizada, e \u00e9 importante para perceber as raz\u00f5es das mudan\u00e7as nordestinas, no Nordeste, a regi\u00e3o mais pobre do Pa\u00eds, a renda subiu quase 42% contra quase 16% no Sudeste, a mais rica.<\/p>\n<p>E se quisermos chegar aos Estados, para exemplificar, a renda no Maranh\u00e3o sobe quase 47%, antes o Estado mais pobre, contra um crescimento de pouco mais de 7% de S\u00e3o Paulo, o Estado mais rico. Em Sergipe, aqui t\u00e3o perto de n\u00f3s, a renda sobe 58%. Andando pelas capitais, outro exemplo: Teresina, no Piau\u00ed, experimentou a maior taxa de crescimento, mais de 56%. Nas periferias, o crescimento mais elevado se deu em Fortaleza, com um aumento de renda da ordem de 52%. A capital paulista e sua grande periferia cresceram, respectivamente, 2,3% e 13,1%.<\/p>\n<p>Anotemos que o padr\u00e3o de um maior crescimento da periferia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s capitais se deu em sete das nove grandes metr\u00f3poles brasileiras, como acentua o professor Neri. Podemos ir agora \u00e0 rela\u00e7\u00e3o campo\/cidade. A renda nas \u00e1reas pobres rurais cresceu mais de 49% contra 16% das metr\u00f3poles e quase 27% das demais cidades. Outro dado de distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Tudo isso evidencia, que nesse in\u00edcio de s\u00e9culo XXI, diz o professor Neri, houve crescimento da renda dos mais pobres, daqueles tradicionalmente exclu\u00eddos, como analfabetos, negros, nordestinos, popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, dos campos e constru\u00e7\u00f5es. Tal tend\u00eancia n\u00e3o se observou nos pa\u00edses desenvolvidos e nos demais Brics (R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), onde a desigualdade cresce.<\/p>\n<p>Isso tudo deve nos levar a refletir. Primeiro que n\u00e3o h\u00e1 espontaneidade nessa distribui\u00e7\u00e3o. Houve uma pol\u00edtica deliberada do governo Lula, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 trajet\u00f3ria anterior do governo FHC, de distribuir renda para os mais pobres. Segundo: h\u00e1 uma longa caminhada pela frente. A nossa desigualdade social ainda \u00e9 muito grande. Com Dilma, a luta continua. Tem que continuar.<\/p>\n<p>E a presidenta tem dado demonstra\u00e7\u00f5es evidentes de que n\u00e3o mudar\u00e1 esse curso. Ao contr\u00e1rio, pretende aprofund\u00e1-lo. Nos pr\u00f3ximos dias, deve anunciar com detalhes o programa de erradica\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria no Brasil, seguindo as conquistas do governo Lula. Ser\u00e1 um conjunto de medidas destinadas a fazer do Brasil um Pa\u00eds de todos. Ser\u00e1 a continuidade de uma pol\u00edtica, a pol\u00edtica de continuar crescendo, mas fazendo isso com a obstina\u00e7\u00e3o de sempre prosseguir distribuindo renda.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas neoliberais foram derrotadas no Brasil. Elas t\u00eam um foco: o mercado. E n\u00e3o s\u00f3 isso, um mercado restrito, que foi a maneira como Fernando Henrique governou durante oito anos. O mercado de massas, que a esquerda sempre defendeu para o Brasil, foi constitu\u00eddo por Lula e ser\u00e1 ampliado com Dilma, para o bem do povo brasileiro, especialmente dos mais pobres. Esse projeto pol\u00edtico conquistou o povo brasileiro. Deu duas vit\u00f3rias a Lula. Deu vit\u00f3ria a Dilma. Quer continuar a mudar o Brasil. Para melhor.<\/p>\n<p>*Jornalista, escritor, deputado federal (PT\/Ba)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para continuar a distribuir renda Emiliano Jos\u00e9 A vit\u00f3ria de um projeto pol\u00edtico, o da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, que segue seu curso desde o in\u00edcio de 2003, quando Lula tomou posse, leva \u00e0 necessidade de uma compreens\u00e3o do papel da pol\u00edtica para o desenvolvimento. 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