{"id":2258,"date":"2011-04-08T15:44:34","date_gmt":"2011-04-08T18:44:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/?p=2258"},"modified":"2011-04-08T15:44:34","modified_gmt":"2011-04-08T18:44:34","slug":"esqueletos-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2011\/04\/08\/esqueletos-da-ditadura\/","title":{"rendered":"ESQUELETOS DA DITADURA"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"475\" valign=\"top\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/images\/transp.gif?resize=475%2C15\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"15\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"475\" valign=\"top\">COMISS\u00c3O DA VERDADE<br \/>\nO cinismo e o medo dos generais<\/p>\n<p>Por Luiz Cl\u00e1udio Cunha\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/images\/transp.gif?resize=5%2C15\" alt=\"\" width=\"5\" height=\"15\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\">Barack Obama cultiva uma virtude que os generais brasileiros desdenham: a verdade. No domingo (20\/3), num discurso de 20 minutos no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o presidente dos Estados Unidos reconheceu o que os comandantes militares insistem em negar desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, em 1985: &#8220;No Brasil, voc\u00eas lutaram durante duas d\u00e9cadas, durante a ditadura, pelo direito de ser ouvido, pelo direito de ser libertado do medo&#8221;, elogiou Obama.<\/p>\n<p>Onze dias antes (9\/3), o jornal <em>O Globo<\/em> revelou um espantoso documento enviado pelos chefes do Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica ao passivo ministro da Defesa, Nelson Jobim, bombardeando o projeto do pr\u00f3prio governo que cria a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, destinada a investigar viola\u00e7\u00f5es da ditadura aos direitos humanos, como tortura, mortes e desaparecimentos. &#8220;Passaram-se quase 30 anos do fim do governo chamado militar&#8221;, lamentam-se os oficiais-generais, incapazes de identificar o finado regime de 1964 pela palavra que o define: uma ditadura, nascida do golpe que derrubou o presidente eleito, trocado pelo rod\u00edzio no poder de cinco generais, com atos de for\u00e7a que esmagavam a Constitui\u00e7\u00e3o, um aparato repressivo que prendia, torturava e matava, julgando civis em tribunais militares, e a pol\u00edtica sufocada pelo regime que cassava e exilava l\u00edderes civis em nome da santa &#8220;seguran\u00e7a nacional&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Anistia gestada no ventre da ditadura<\/p>\n<p><\/strong>Perfilados com o cinismo e prisioneiros do medo, os generais ainda rotulam tudo aquilo como um &#8220;governo chamado militar&#8221;. Assustados com o debate no Congresso, os militares se protegem: querem o fim do anonimato para quem entregar documentos, o que sempre constrange a verdade, e exigem que os depoentes sejam convidados, n\u00e3o convocados. Ou seja, s\u00f3 vai l\u00e1 quem quiser.<\/p>\n<p>Os quart\u00e9is que aterrorizaram o pa\u00eds sob o tac\u00e3o do AI-5 hoje s\u00e3o legalistas, exigindo respeito \u00e0 decis\u00e3o de 2010 do STF que negou a revis\u00e3o da Lei de Anistia. Bloqueou-se, assim, a puni\u00e7\u00e3o aos torturadores, como fazem com altivez a Argentina, Uruguai e Chile, onde brotaram ditaduras semelhantes \u00e0 brasileira. Alegam que nossa anistia foi fruto de um &#8220;consenso nacional&#8221;, outra mentira conveniente para manter a impunidade. Foi, na verdade, gestada no ventre da ditadura e digerida pela s\u00f3lida maioria na C\u00e2mara de Deputados: <a name=\"12f1259f9dbb3783_12f12543f1c3e3a9__GoBac\">221 cadeiras da Arena, 186 do MDB. Ainda assim, a anistia passou raspando \u2013 206 votos contra 201. Um dos signat\u00e1rios da lei de agosto de 1979 era o chefe do SNI, general Oct\u00e1vio Medeiros. Em abril de 1981, explodiu antes da hora a bomba do Riocentro, que matou um sargento e feriu um capit\u00e3o do DOI-Codi. Inqu\u00e9rito do Ex\u00e9rcito apurou que o ato terrorista foi planejado pelo coronel que chefiava o SNI do general Medeiros no Rio.<\/a><\/p>\n<p><strong>O regime sangrento<\/p>\n<p><\/strong>Em dezembro passado, a Corte de Direitos Humanos da OEA condenou o Brasil por unanimidade, exigindo que os agentes do Estado terrorista sejam investigados e, se for o caso, punidos. Ou seja, a gentil anistia brasileira, segundo o ju\u00edzo internacional, n\u00e3o passa de uma complacente autoanistia. Ou um blefe para sufocar a justi\u00e7a e ocultar a verdade.<\/p>\n<p>Do Rio, Barack Obama viajou a Santiago do Chile, onde prometeu abrir os arquivos americanos sobre o sangrento regime do general Pinochet. \u00c9 aquele horror que os indulgentes generais brasileiros devem classificar como um &#8220;governo chamado militar&#8221;.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 COMISS\u00c3O DA VERDADE O cinismo e o medo dos generais Por Luiz Cl\u00e1udio Cunha\u00a0 Barack Obama cultiva uma virtude que os generais brasileiros desdenham: a verdade. 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