{"id":2157,"date":"2011-03-30T18:21:05","date_gmt":"2011-03-30T21:21:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/?p=2157"},"modified":"2011-03-30T18:21:05","modified_gmt":"2011-03-30T21:21:05","slug":"a-importancia-do-vice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2011\/03\/30\/a-importancia-do-vice\/","title":{"rendered":"A IMPORT\u00c2NCIA DO VICE"},"content":{"rendered":"<p>Vice hist\u00f3rico<br \/>\nEm homenagem ao ex-vice-presidente Jos\u00e9 Alencar, que faleceu nesta ter\u00e7a-feira, fizemos uma lista com vice-presidentes que ficaram famosos <\/p>\n<p>No dia de sua morte, nesta ter\u00e7a-feira, 29 de mar\u00e7o de 2011, Jos\u00e9 Alencar n\u00e3o era mais o vice-presidente do pa\u00eds. Mas sua presen\u00e7a ainda ressoa quase cem dias ap\u00f3s ele ter sa\u00eddo do posto. Uma das raz\u00f5es para ele ter ficado marcado era o fato de, contabilizando todos os momentos de viagem do ex-presidente Lula, Alencar esteve por mais de um ano no cargo mais importante do Brasil. Mais que alguns presidentes. Outra era a sua oposi\u00e7\u00e3o forte a uma pol\u00edtica monet\u00e1ria, baseada na eleva\u00e7\u00e3o de juros, em detrimento dos incentivos desenvolvimentistas. Por \u00faltimo, a for\u00e7a de um homem que lutou por anos contra o c\u00e2ncer, sem nunca esmorecer, ou mesmo perder o otimismo. Em homenagem a Alencar, fizemos um apanhado de vices que extrapolaram as suas fun\u00e7\u00f5es e assumiram o principal posto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio da nossa hist\u00f3ria republicana, o homem que proclamou a Rep\u00fablica n\u00e3o conseguiu terminar o seu mandato: o marechal Deodoro da Fonseca n\u00e3o conseguiu lidar com as press\u00f5es pol\u00edticas e renunciou em 1891. Assumiu em seu lugar o primeiro de muitos vices que marcariam a mem\u00f3ria nacional: o tamb\u00e9m marechal Floriano Peixoto, que governou por cerca de tr\u00eas anos de maneira implac\u00e1vel em suas posi\u00e7\u00f5es em um momento de consolida\u00e7\u00e3o do regime republicano. Sua dureza contra os opositores lhe rendeu o apelido de \u201cMarechal de Ferro\u201d.<\/p>\n<p>Quase 20 anos depois, foi a vez de Nilo Pe\u00e7anha assumir o cargo de presidente do pa\u00eds, mas, dessa vez, por conta da morte do ent\u00e3o ocupante, Afonso Pena, em 1909. Pe\u00e7anha apenas completou o tempo do antecessor, ficando pouco mais de um ano no governo. Caso parecido aconteceu com Delfim Moreira, em 1918, que governou at\u00e9 1919, por conta da morte de Rodrigues Alves, v\u00edtima da gripe espanhola, antes de assumir o cargo. Delfim ficou tempo suficiente para a convoca\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m assumindo por conta da morte do presidente, mas num contexto completamente diferente, \u00e9 a vez de Caf\u00e9 Filho, vice de Get\u00falio Vargas, em 1954. Filho al\u00e7ou de posto quando na noite de 24 de agosto, Vargas decidiu por conta pr\u00f3pria sair da vida para entrar na Hist\u00f3ria. Vargas, em sua primeira passagem pelo poder nacional (de 1930 a 1945), j\u00e1 tinha renunciado da presid\u00eancia. Mas, em seu lugar, assumira n\u00e3o um vice, porque ele n\u00e3o o tinha, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal, Jos\u00e9 Linhares.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada seguinte, em 1961, foi a vez de Jo\u00e3o Goulart, afilhado pol\u00edtico de Vargas, assumir a presid\u00eancia da Rep\u00fablica, ap\u00f3s a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, que ficou no cargo apenas sete meses. Jango j\u00e1 tinha sido vice de JK e enfrentou diversas dificuldades para assumir o posto principal, que resultaram at\u00e9 na instaura\u00e7\u00e3o de um regime parlamentarista in\u00e9dito na Rep\u00fablica brasileira, que tinha como primeiro-ministro Tancredo Neves. Goulart \u00e9 derrubado por um golpe em 1964 para a instaura\u00e7\u00e3o de uma ditadura que duraria 21 anos.<\/p>\n<p>Em uma grande coincid\u00eancia hist\u00f3rica, logo ap\u00f3s esse per\u00edodo, Tancredo seria novamente lembrado ao lado de um c\u00e9lebre vice. Eleito indiretamente para assumir o principal cargo do pa\u00eds no processo de democratiza\u00e7\u00e3o em 1985, o pol\u00edtico mineiro morreu antes de tomar posse oficialmente. Seu vice, o controverso pol\u00edtico maranhense Jos\u00e9 Sarney, que tinha militado no partido que apoiava os militares, fica com a responsabilidade de ser o primeiro governante nacional ap\u00f3s a ditadura.<\/p>\n<p> Fernando Collor de Mello, que assumiu a presid\u00eancia substituindo Sarney, na primeira elei\u00e7\u00e3o direta desde antes da ditadura, tamb\u00e9m foi outro que n\u00e3o terminou seu mandato. Por conta de den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, ele enfrentou um processo de impeachment, fazendo com que Itamar Franco assumisse, em 1992, e completasse o mandato, at\u00e9 1994.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o Brasil conseguiu manter o processo democr\u00e1tico de sucess\u00e3o presidencial, enfraquecendo, assim, a alcunha de ser o pa\u00eds dos vices. Mas, com a presen\u00e7a constante de Alencar, percebemos que nem sempre o vice precisa se tornar presidente para que sua import\u00e2ncia seja reconhecida.<\/p>\n<p>Fonte:Revista de Hist\u00f3ria da Biblioteca Nacional<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vice hist\u00f3rico Em homenagem ao ex-vice-presidente Jos\u00e9 Alencar, que faleceu nesta ter\u00e7a-feira, fizemos uma lista com vice-presidentes que ficaram famosos No dia de sua morte, nesta ter\u00e7a-feira, 29 de mar\u00e7o de 2011, Jos\u00e9 Alencar n\u00e3o era mais o vice-presidente do pa\u00eds. Mas sua presen\u00e7a ainda ressoa quase cem dias ap\u00f3s ele ter sa\u00eddo do posto. 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