{"id":1882,"date":"2011-02-14T23:21:38","date_gmt":"2011-02-15T02:21:38","guid":{"rendered":"http:\/\/radiocidadania.com.br\/blog\/?p=1882"},"modified":"2011-02-14T23:21:38","modified_gmt":"2011-02-15T02:21:38","slug":"ronaldo-e-o-hipotireoidismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2011\/02\/14\/ronaldo-e-o-hipotireoidismo\/","title":{"rendered":"RONALDO E O HIPOTIREOIDISMO"},"content":{"rendered":"<p>Especialistas alertam: Hipotiroidismo n\u00e3o causa obesidade nem rem\u00e9dio para a doen\u00e7a d\u00e1 doping<br \/>\npor Concei\u00e7\u00e3o Lemes<\/p>\n<p>Hoje, ao anunciar a sua aposentadoria, Ronaldo, do Corinthians, responsabilizou o hipotiroidismo para o ganho acentuado de peso nos \u00faltimos anos:<\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 quatro anos, no Milan, eu descobri que sofria de um dist\u00farbio que se chama hipotiroidismo. \u00c9 um dist\u00farbio que desacelera o seu metabolismo, e que para controlar esse dist\u00farbio eu teria que tomar alguns horm\u00f4nios que n\u00e3o s\u00e3o permitidos no futebol porque seria doping. Muitos aqui agora talvez estejam arrependidos de terem feito chacota do meu peso, mas eu n\u00e3o guardo m\u00e1goa de ningu\u00e9m. <\/p>\n<p>Coloque a m\u00e3o sob a ponta do queixo. Deslize os dedos at\u00e9 a parte inferior do pesco\u00e7o. A\u00ed fica a tiroide, gl\u00e2ndula produtora dos vitais horm\u00f4nios tiroidianos. O hipotiroidismo significa que eles est\u00e3o sendo fabricados abaixo do n\u00edvel considerado normal.<\/p>\n<p>\u201cEstranho o Ronaldo dizer que n\u00e3o tratou o hipotiroidismo, porque seria doping\u201d, afirma o endocrinologista Gilberto Vieira, professor da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). \u201cO tratamento \u00e9 com levotiroxina, o horm\u00f4nio tiroidiano sint\u00e9tico. O paciente toma o suficiente para atingir n\u00edveis normais no sangue. Nunca ouvi falar em doping por esse rem\u00e9dio.\u201d<\/p>\n<p>Checamos a lista de subst\u00e2ncias proibidas pela Ag\u00eancia Nacional Anti-Doping. A levotiroxina n\u00e3o consta.<\/p>\n<p>\u201cO rem\u00e9dio n\u00e3o d\u00e1 doping de jeito nenhum\u201d, avisa o endocrinologista Jo\u00e3o Hamilton Romaldini, professor da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da PUC de Campinas. \u201cA levotiroxina n\u00e3o \u00e9 detectada na urina nem produz qualquer efeito colateral se for bem quantificada.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Ronaldo usou uma m\u00e1 justificativa para o excesso de peso\u201d, alerta Romaldini. \u201cO hipotiroidismo \u00e9 sonho dourado de diagn\u00f3stico de dez em cada dez gordinhos. No entanto, n\u00e3o causa obesidade, n\u00e3o*.\u201d<\/p>\n<p>Devido \u00e0 hipofun\u00e7\u00e3o tiroidiana, subst\u00e2ncias chamadas glicosaminoglicanos se acumulam nos tecidos, retendo l\u00edquido. A pessoa incha. Ao mesmo tempo, diminui a filtra\u00e7\u00e3o dos rins. O resultado \u00e9 3 a 6 quilos a mais na doen\u00e7a avan\u00e7ada, embora nem 40% dos hipotiroideos tenham aumento de peso importante. N\u00e3o h\u00e1 ganho de gordura. Em tr\u00eas meses de tratamento, o peso volta ao normal.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, boa parte dos casos de hipotiroidismo \u00e9 subcl\u00ednico, ou seja, os sintomas s\u00e3o muito discretos\u201d, acrescenta Vieira. \u201cLogo, n\u00e3o precisaria tomar rem\u00e9dio prontamente, mas ser bem acompanhada. O tratamento em geral \u00e9 para toda a vida, mas com a dosagem certa o metabolismo volta ao normal.\u201d<\/p>\n<p>\u201cRonaldo prestou um desservi\u00e7o aos obesos e aos hipotiroideos\u201d, lamenta Romaldini. \u201cAos obesos, ao lev\u00e1-los a acreditar equivocadamente que hipotiroidismo causa obesidade. Aos hipotiroideos, que o rem\u00e9dio daria doping. Por causa dele, talvez alguns parem o tratamento. Pelo amor de Deus, n\u00e3o fa\u00e7am isso, sem conversar com o seu m\u00e9dico. O Ronaldo n\u00e3o sabe o que disse.\u201d<\/p>\n<p>A DONA TIROIDE, PEQUENA PODEROSA<\/p>\n<p>E j\u00e1 que o Ronaldo levantou a bola,vamos aproveitar para falar da tiroide e do hipotiroidismo. Afinal, quem n\u00e3o faz, toma, concordam?<\/p>\n<p>Com formato de borboleta e pesando cerca de 20 gramas, a tiroide \u00e9 uma das nossas principais gl\u00e2ndulas. Ela fabrica os poderosos horm\u00f4nios tiroidianos \u2014 subst\u00e2ncias que, via sangue, agem no corpo inteiro, no desenvolvimento e manuten\u00e7\u00e3o de todos os \u00f3rg\u00e3os e fun\u00e7\u00f5es. Por exemplo, ajudam o corpo a usar energia e reter calor; fazem c\u00e9rebro, cora\u00e7\u00e3o, m\u00fasculos e outros \u00f3rg\u00e3os trabalhar devidamente.<\/p>\n<p>\u201cA tiroide trabalha em conjunto com a hip\u00f3fise (gl\u00e2ndula situada no c\u00e9rebro), num processo de feedback\u201d, ensina Vieira.<\/p>\n<p>Simplificadamente, funciona do seguinte modo: a hip\u00f3fise fabrica o horm\u00f4nio TSH (horm\u00f4nio estimulante da tiroide), que \u00e9 lan\u00e7ado na corrente sangu\u00ednea, de onde vai diretamente para a tiroide, levando-a a produzir horm\u00f4nios tiroidianos; esses, por sua vez, agem em seguida na hip\u00f3fise, controlando a quantidade de secre\u00e7\u00e3o de TSH, que, de novo, estimula a tir\u00f3ide a fabricar seus horm\u00f4nios.<\/p>\n<p>E, assim, continuadamente. Se, por qualquer raz\u00e3o, os horm\u00f4nios tiroidianos caem ou sobem um pouquinho na circula\u00e7\u00e3o, o organismo se defende. No ato, a hip\u00f3fise  aumenta ou diminui a produ\u00e7\u00e3o de TSH. Por isso, sempre que se quer saber como est\u00e1 funcionando a tiroide, tem que se \u201cconsultar\u201d primeiro a hip\u00f3fise, local mais sens\u00edvel \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios tiroidianos. A dosagem do TSH no sangue fornece a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como se a hip\u00f3fise fosse o motorista; a tiroide, o motor do carro; os horm\u00f4nios tiroidianos, a velocidade; e o TSH, o acelerador\u201d, compara Vieira.<\/p>\n<p>No hipotiroidismo, especificamente, a velocidade se reduz. O motorista pisa, ent\u00e3o, no acelerador na tentativa de fazer com que o carro ande mais e atinja a velocidade de cruzeiro. A princ\u00edpio, ele consegue, ainda que \u00e0 custa de esfor\u00e7o maior do motor.<\/p>\n<p>\u201cNessa fase, apenas o TSH sobe; a tiroide mant\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o praticamente normal e a pessoa n\u00e3o sente nada\u201d, explica Vieira. Mas, com a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 acelerador que d\u00ea jeito. A atividade da tiroide cai, o n\u00edvel dos horm\u00f4nios tiroidianos baixa muito no sangue e o metabolismo do organismo todo diminui. \u00c9 o hipotiroidismo.<\/p>\n<p>TIROIDITE, CAUSA FREQUENTE<\/p>\n<p>M\u00e1-forma\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula, radioterapia ou cirurgia no pesco\u00e7o e uso de certos medicamentos, como amiodarona (para angina e arritmia card\u00edaca), l\u00edtio (antipsic\u00f3tico), fenilbutazona (antiinflamat\u00f3rio) e sertalina (antidepressivo), podem ser a causa.<\/p>\n<p>Mas, em 90% dos casos, \u00e9 a tiroidite de Hashimoto, doen\u00e7a auto-imune que acomete mais o sexo feminino \u2014 principalmente ap\u00f3s os 40 anos:  o sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o reconhece a tiroide como parte do corpo e a ataca, inflamando-a ou destruindo-a progressivamente.<\/p>\n<p>\u201cA tiroidite resulta da intera\u00e7\u00e3o entre predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e fatores ambientais\u201d, informa Romaldini.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 preciso nascer com o gene respons\u00e1vel pela tiroidite e se expor aos fatores desencadeantes, que a ci\u00eancia tenta desvendar. Provavelmente fatores hormonais influenciam, j\u00e1 que, com freq\u00fc\u00eancia, ela come\u00e7a na gravidez, ap\u00f3s o parto ou na menopausa. Iodo demais tamb\u00e9m torna a tiroide suscet\u00edvel a doen\u00e7a auto-imune nas pessoas predispostas.<\/p>\n<p>Existente principalmente em peixes e frutos de mar, o iodo \u00e9 a mat\u00e9ria-prima b\u00e1sica para a tir\u00f3ide fabricar horm\u00f4nios. Na car\u00eancia do nutriente, ela n\u00e3o trabalha direito. Em situa\u00e7\u00e3o extrema, o adulto tem b\u00f3cio e a crian\u00e7a, defici\u00eancia mental. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) recomenda universalmente adicion\u00e1-lo ao sal de cozinha, pois o iodo \u00e9 raro na natureza. A dose indicada \u00e9 20 a 60 miligramas de iodo por quilo de sal.<\/p>\n<p>No Brasil, de 1998 a 2003, se colocaram de 40 a 100 mg\/kg. Trabalho realizado na \u00e9poca com 2.160 crian\u00e7as de v\u00e1rias regi\u00f5es constatou, por meio de exame na urina, que 69% estavam ingerindo acima de 300 microgramas de iodo\/dia, quando o recomendado pela OMS \u00e9 de 100 a 300 microgramas\/dia. Foi um sinal vermelho, mas hoje j\u00e1 est\u00e1 no verde. Nenhuma crian\u00e7a tinha altera\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o da tir\u00f3ide.<\/p>\n<p>TUDO EM MARCHA LENTA<\/p>\n<p>Independentemente da causa, a redu\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios tiroidianos no sangue leva aos poucos o organismo inteiro a \u201candar\u201d em marcha lenta.<\/p>\n<p>Eis o que pode provocar na pessoa afetada:<\/p>\n<p>* Cansa\u00e7o, des\u00e2nimo, com fraqueza.<\/p>\n<p>* Lerdeza para reagir \u00e0s situa\u00e7\u00f5es do cotidiano.<\/p>\n<p>* Racioc\u00ednio moroso, concentra\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e mem\u00f3ria ruim.<\/p>\n<p>* Sonol\u00eancia durante o dia.<\/p>\n<p>* Dores nas juntas.<\/p>\n<p>* Sensa\u00e7\u00e3o de frio quando as outras pessoas sentem calor.<\/p>\n<p>* P\u00e1lpebras e rosto inchados ao amanhecer.<\/p>\n<p>* Cabelos ressecados, quebradi\u00e7os, que caem mais do que o habitual.<\/p>\n<p>* Unhas quebradi\u00e7as.<\/p>\n<p>* Pele muito ressecada e grossa.<\/p>\n<p>* Pris\u00e3o de ventre.<\/p>\n<p>* Irrita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>* Pele amarelada ou alaranjada.<\/p>\n<p>* Altera\u00e7\u00e3o na menstrua\u00e7\u00e3o, principalmente com aumento do<\/p>\n<p>sangramento.<\/p>\n<p>* Surgimento ou agravamento da depress\u00e3o.<\/p>\n<p>* Aumento da taxa de colesterol.<\/p>\n<p>* Diminui\u00e7\u00e3o do apetite.<\/p>\n<p>* Ganho de peso ou dificuldade de perd\u00ea-lo.<\/p>\n<p>* Voz rouca.<\/p>\n<p>* Aumento do tamanho da l\u00edngua.<\/p>\n<p>CL\u00c1SSICO OU SUBCL\u00cdNICO?<\/p>\n<p>\u201cHoje, raramente atendemos hipotiroideo com tudo isso junto\u201d, salienta Romaldini. \u00c9 o hipotiroidismo cl\u00e1ssico, ou manifesto. Usualmente, o diagn\u00f3stico \u00e9 feito numa fase mais precoce, e o paciente apresenta apenas alguns dos sintomas acima, que, ali\u00e1s, s\u00e3o comuns a diversas condi\u00e7\u00f5es, como anemia, depress\u00e3o, stress e menopausa.<\/p>\n<p>J\u00e1 o hipotiroidismo subcl\u00ednico \u00e9, em geral, um achado laboratorial. As sociedades de ginecologia e endocrinologia preconizam o TSH para mulheres ap\u00f3s os 40 anos, os m\u00e9dicos solicitam-no e o resultado d\u00e1 entre 4,5 a 10 miliunidades\/litro. Ou a pessoa refere cansa\u00e7o que n\u00e3o consegue explicar direito, o m\u00e9dico pede o teste e o resultado vem tamb\u00e9m nesse intervalo.<\/p>\n<p>O TSH, vale relembrar, \u00e9 o exame para saber como a tiroide est\u00e1 funcionando. O normal \u00e9 ter de 0,3 a 4,5 miliunidades de TSH por litro de sangue. Acima de 10, considera-se hipotiroidismo. De 4,5 a 10 miliunidades \u00e9 a faixa do hipotiroidismo subcl\u00ednico.<\/p>\n<p>Justamente a que, neste momento, intriga m\u00e9dicos aqui e no exterior, que se  perguntam: ser\u00e1 essa ligeira eleva\u00e7\u00e3o j\u00e1 a doen\u00e7a? Ser\u00e1 que ela piora a qualidade de vida? Ser\u00e1 que esse cansa\u00e7o vago decorre de stress ou j\u00e1 \u00e9 um sintoma da disfun\u00e7\u00e3o m\u00ednima da tiroide? Pesquisas em andamento v\u00e3o dar resposta a essas quest\u00f5es nos  pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>TSH, EXAME-CHAVE<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de hipotiroidismo \u00e9 feito atrav\u00e9s de dosagens hormonais. Na maioria das vezes basta o TSH. Para facilitar a vida, pode-se dosar no mesmo dia o T4 livre.<\/p>\n<p>Mas o TSH \u00e9 o exame-chave. Seu n\u00edvel aumenta ou diminui 100 vezes a cada m\u00ednima mudan\u00e7a do horm\u00f4nio T4, portanto \u00e9 o primeiro a detectar qualquer altera\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o da tir\u00f3ide.<\/p>\n<p>\u201cNos resultados normais, pode-se parar por a\u00ed\u201d, assegura Vieira. Nos alterados, devem ser feitos mais dois testes:<\/p>\n<p>1) T4 livre, particularmente \u00fatil no diagn\u00f3stico do hipotiroidismo subcl\u00ednico. O T4 livre normal combinado a TSH pouco elevado indica disfun\u00e7\u00e3o m\u00ednima da tiroide.<\/p>\n<p>2) Anticorpos antitiroide, para identificar a causa.<\/p>\n<p>Resultado positivo \u00e9 forte ind\u00edcio de tiroidite de Hashimoto, o que significa sete vezes mais risco de o hipotiroidismo progredir. Logo, esse exame pesa bastante na decis\u00e3o de tratar.<\/p>\n<p>ACIMA DE 10, MEDICAR<\/p>\n<p>\u00c9 consenso entre os especialistas: pessoas com TSH acima de 10 devem ser tratadas. Objetivo: aliviar e\/ou evitar sintomas do hipotiroidismo, e principalmente prevenir suas consequ\u00eancias cardiovasculares e psiqui\u00e1tricas.<\/p>\n<p>\u201cO hipotiroidismo est\u00e1 associado a aumento de colesterol, favorecendo aterosclerose e infarto do mioc\u00e1rdio\u201d, justifica Romaldini. \u201cTamb\u00e9m pode alterar o humor, contribuindo para a depress\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A terapia consiste em tomar diariamente, e para o restante da vida, comprimidos de levotiroxina (h\u00e1 v\u00e1rias marcas comercializadas no Brasil). \u00c9 horm\u00f4nio T4 sint\u00e9tico. N\u00e3o cura o hipotiroidismo, apenas substitui o que a tir\u00f3ide doente n\u00e3o est\u00e1 produzindo em quantidade suficiente. A melhora dos sintomas \u00e9 lenta, podendo levar meses se eles forem intensos.<\/p>\n<p>OBSERVAR VERSUS TRATAR<\/p>\n<p>J\u00e1 o tratamento do hipotiroidismo subcl\u00ednico \u00e9 controverso. Alguns m\u00e9dicos tratam toda pessoa com 4,5 de TSH. J\u00e1 a conduta do Ambulat\u00f3rio de Tiroide da Unifesp \u00e9 n\u00e3o tratar paciente com TSH entre 4,5 e10, salvo se tiver queixa importante ou fator de risco associado. E, a cada seis meses, o paciente passa por nova avalia\u00e7\u00e3o. Se alterar o TSH ou o quadro cl\u00ednico, inicia-se o tratamento.<\/p>\n<p>Ou seja, deve-se acompanhar e agir na hora certa em cada caso. \u201cO motivo n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mico\u201d, frisa Gilberto Vieira. \u201c\u00c9 para evitar a medicaliza\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p>Na verdade, s\u00e3o v\u00e1rias as raz\u00f5es contra o tratamento indiscriminado de pessoas com TSH pouco elevado:<\/p>\n<p>1) O tratamento precoce n\u00e3o previne a destrui\u00e7\u00e3o da tir\u00f3ide, pois n\u00e3o age na causa. A doen\u00e7a propriamente dita continua evoluindo. \u00c9 uma terapia substitutiva, tal como a insulina para diab\u00e9ticos.<\/p>\n<p>2) Parte dos pacientes tem eleva\u00e7\u00e3o circunstancial do n\u00edvel de TSH, normalizando naturalmente depois.<\/p>\n<p>3) A doen\u00e7a tem evolu\u00e7\u00e3o lenta. Dos pacientes com hipotiroidismo subcl\u00ednico, 2% a 5% por ano progredir\u00e3o para o hipotiroidismo manifesto. A alguns isso acontecer\u00e1 no ano seguinte. A outros, 10, 15 ou 20 anos depois. Logo, tem gente que tomar\u00e1 rem\u00e9dio por tempo prolongado sem precisar.<\/p>\n<p>4) Avalia\u00e7\u00e3o das principais pesquisas feitas no mundo sobre hipotiroidismo subcl\u00ednico concluiu recentemente que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias cient\u00edficas suficientes para recomendar o seu tratamento de rotina.<\/p>\n<p>5) O tratamento pode causar hipertiroidismo. E hipertiroidismo provoca fibrila\u00e7\u00e3o atrial (batimentos anormais do ritmo card\u00edaco), o que ocasiona infarto do mioc\u00e1rdio e acidente vascular cerebral, al\u00e9m de levar \u00e0 osteoporose.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 quase imposs\u00edvel manter os horm\u00f4nios tiroidianos em n\u00edveis adequados no sangue quando o TSH est\u00e1 em 4, 5 ou 6\u201d, alerta Romaldini. \u201cPor isso, em pacientes com 4 a 8 de TSH, \u00e9 prefer\u00edvel acompanhar em vez de tratar, a menos que ele tenha fator de risco associado, como aumento do colesterol total e da fra\u00e7\u00e3o LDL (o \u2018mau\u2019 colesterol), angina, doen\u00e7a do p\u00e2nico ou depress\u00e3o que n\u00e3o melhora com antidepressivos, diminui\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria e de concentra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, muit\u00edssima aten\u00e7\u00e3o: \u201cA gr\u00e1vida hipotiroidea, mesmo subcl\u00ednica, precisa ser sempre tratada\u201d, avisa Vieira. A tiroide do feto s\u00f3 come\u00e7a a funcionar entre a 12\u00aa a 15\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o, fase em que depende exclusivamente dos horm\u00f4nios tiroidianos passados pela m\u00e3e. A\u00ed, o hipotiroidismo materno pode afetar o c\u00e9rebro do beb\u00ea, comprometendo o seu desenvolvimento neuropsicomotor.<\/p>\n<p>PARTICIPE DA DECIS\u00c3O<\/p>\n<p>Provavelmente a esta altura, voc\u00ea deve estar se perguntando: afinal, quem est\u00e1 sujeito a ter hipotiroidismo?<\/p>\n<p>Certamente t\u00eam mais risco as pessoas com hist\u00f3ria familiar de doen\u00e7a tiroidiana, quem tem mais de 60 anos e as mulheres. \u201cSe sentir cansa\u00e7o, des\u00e2nimo ou depress\u00e3o que n\u00e3o consegue explicar direito, consulte o seu m\u00e9dico\u201d, orienta Romaldini. \u201cPode ser que n\u00e3o seja stress ou excesso de trabalho, mas hipotiroidismo.\u201d<\/p>\n<p>Se porventura o TSH der pouco alterado, lembre-se de que cada caso \u00e9 rigorosamente um caso. Participe da decis\u00e3o de iniciar ou n\u00e3o a medica\u00e7\u00e3o de imediato. O tratamento \u00e9 para a vida toda.<\/p>\n<p>\u201cTem muita gente sendo rotulada de hipotiroidea desnecess\u00e1ria e equivocadamente\u201d, adverte Vieira. \u201cEst\u00e1 havendo excesso de diagn\u00f3stico e de tratamento. Por tr\u00e1s, est\u00e1 a press\u00e3o dos laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos para vender mais horm\u00f4nio tiroidiano sint\u00e9tico.\u201d<\/p>\n<p>Cuidado, portanto. Qualquer op\u00e7\u00e3o exige acompanhamento peri\u00f3dico, pois a tir\u00f3ide muda. O hipotirodismo, al\u00e9m de doen\u00e7a do momento, \u00e9 um dos neg\u00f3cios da hora.<\/p>\n<p>* PS1:  A informa\u00e7\u00e3o  de que hipotiroidismo n\u00e3o causa obesidade consta do livro Sa\u00fade \u2014 A Hora \u00e9 agora, do qual sou coautora. O professor Milton de Arruda Martins, titular de Cl\u00ednica M\u00e9dica da Faculdade de Medicina da USP, e o doutor Mario Ferreira J\u00fanior, respons\u00e1vel pelo Centro de Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo,  s\u00e3o os outros coautores. Entrevistei  70 profissionais de sa\u00fade entrevistados, principalmente do HC-FMUSP, para fazer este livro.<\/p>\n<p>* PS2. O doutor Gilberto Vieira, da Unifesp, \u00e9 corinthiano. Roxo<br \/>\nFonte: Blog do Azenha<br \/>\nPostado Por Ernesto Albuquerque<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas alertam: Hipotiroidismo n\u00e3o causa obesidade nem rem\u00e9dio para a doen\u00e7a d\u00e1 doping por Concei\u00e7\u00e3o Lemes Hoje, ao anunciar a sua aposentadoria, Ronaldo, do Corinthians, responsabilizou o hipotiroidismo para o ganho acentuado de peso nos \u00faltimos anos: \u2013 H\u00e1 quatro anos, no Milan, eu descobri que sofria de um dist\u00farbio que se chama hipotiroidismo. \u00c9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[9],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pYpuv-um","jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1882"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1882"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1882\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1884,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1882\/revisions\/1884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}