{"id":1712,"date":"2011-01-31T15:36:20","date_gmt":"2011-01-31T18:36:20","guid":{"rendered":"http:\/\/radiocidadania.com.br\/blog\/?p=1712"},"modified":"2011-01-31T16:50:50","modified_gmt":"2011-01-31T19:50:50","slug":"as-imobiliarias-e-as-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2011\/01\/31\/as-imobiliarias-e-as-enchentes\/","title":{"rendered":"AS IMOBILI\u00c1RIAS E AS ENCHENTES"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade que a ind\u00fastria imobili\u00e1ria subjugou<\/p>\n<p>Respeito \u00e0 natureza<\/p>\n<p>Emiliano Jos\u00e9<br \/>\n(Jornalista, escritor e professor)<\/p>\n<p>Diante da trag\u00e9dia que envolveu o Sudeste e o Sul, e de modo especialmente tr\u00e1gico a regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, fala-se na surpresa das cat\u00e1strofes naturais, como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos j\u00e1 alcan\u00e7ado um conhecimento suficiente da din\u00e2mica da natureza para encontrar os caminhos que evitem tantas mortes e tanta destrui\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdadeiro dizer, nesses epis\u00f3dios, que todos pagam. Mas \u00e9 ineg\u00e1vel que o pre\u00e7o mais alto, em todos os sentidos, em vidas inclusive, \u00e9 pago pelos mais pobres.<\/p>\n<p>Sair desse quase c\u00edrculo vicioso implicar\u00e1 em medidas pol\u00edticas de profundidade, muito maiores do que as que v\u00eam sendo tomadas at\u00e9 agora, medidas destinadas antes de tudo a encarar o desafio urbano no Brasil de outra forma. As cidades, no Brasil, ao longo dessas d\u00e9cadas de ingresso na industrializa\u00e7\u00e3o acelerada e na conseq\u00fcente urbaniza\u00e7\u00e3o veloz e impiedosa, t\u00eam se constitu\u00eddo de acordo muito mais com a l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o do capital do que com os interesses das maiorias. O governo Lula, e seguramente agora o governo Dilma seguir\u00e1 nessa linha, come\u00e7ou a enfrentar o problema da habita\u00e7\u00e3o e do saneamento, mas h\u00e1 ainda um longo caminho a percorrer.<\/p>\n<p>Os pobres n\u00e3o podem continuar a ser empurrados para os morros, impiedosamente, ou para a beira dos rios ou riachos, ou para terrenos alagadi\u00e7os, para encostas deslizantes. Eles n\u00e3o escolhem os riscos, n\u00e3o gostam de morar \u00e0 beira do precip\u00edcio. O que ocorre \u00e9 que normalmente n\u00e3o t\u00eam alternativa. Os investimentos imobili\u00e1rios desenvolvem-se numa din\u00e2mica cega, e desenvolvem-se assim porque n\u00e3o h\u00e1 controle das autoridades municipais, n\u00e3o h\u00e1 planos diretores s\u00e9rios, e essa din\u00e2mica necessariamente constrange os mais pobres a procurar mais e mais as periferias, independentemente de tais periferias terem ou n\u00e3o condi\u00e7\u00f5es ambientais, sanit\u00e1rias e de seguran\u00e7a para receb\u00ea-los. O Estatuto das Cidades, um instrumento t\u00e3o importante para uma conviv\u00eancia urbana civilizada, quase que invariavelmente \u00e9 ignorado, e quem vive em Salvador sabe do que estou falando.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, e o s\u00e1bio Leonardo Boff tem nos alertado quanto a isso, \u00e9 absolutamente essencial que qualquer projeto de desenvolvimento, e aqui nos referimos \u00e0 realidade urbana especialmente, leve em conta que a natureza n\u00e3o pode ser tratada como historicamente vem sendo no Brasil. Creio que nos \u00faltimos oito anos come\u00e7amos a elaborar um novo sentido de cuidados com o meio ambiente, come\u00e7amos a pensar um modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma luta cont\u00ednua entre uma no\u00e7\u00e3o de progresso que encara a natureza de modo simplesmente instrumental, a servi\u00e7o sempre, usemos o jarg\u00e3o antigo, do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, pague-se o pre\u00e7o que se pagar, e um outro, que pensa a import\u00e2ncia de preserv\u00e1-la em favor n\u00e3o s\u00f3 dela mesma, mas tamb\u00e9m do ser humano. E n\u00e3o s\u00f3 da preserva\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano a longo prazo, mas para evitar que a natureza, t\u00e3o agredida e desrespeitada, se movimente, com sua l\u00f3gica pr\u00f3pria, e cause tantas v\u00edtimas, como agora no Brasil. <\/p>\n<p>Est\u00e1 muito certo o nosso Leonardo Boff quando nos ensina, face \u00e0 cat\u00e1strofe recente, que o que se imp\u00f5e agora \u00e9 escutar a natureza, fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio. N\u00e3o podemos continuar a cultivar uma no\u00e7\u00e3o de progresso t\u00e3o violenta que sempre quer retirar tudo da natureza como se \u00e0 frente n\u00e3o houvesse conseq\u00fc\u00eancias tr\u00e1gicas.<\/p>\n<p>Assim, toda obra, qualquer que seja, deve levar em conta, e muito mais seriamente, as conseq\u00fc\u00eancias para o meio ambiente. O pensamento produtivista, hegem\u00f4nico em muitos executivos, que pretende a obra realizada a toque de caixa, sem considera\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, \u00e9 equivocado, e s\u00f3 pode conduzir a trag\u00e9dias semelhantes \u00e0 da regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o das cidades, a verticaliza\u00e7\u00e3o, os programas habitacionais, o saneamento, os rios, riachos, as lagoas, as encostas, as \u00e1reas verdes dos aglomerados urbanos t\u00eam que ser olhados como uma coisa s\u00f3. O ser humano, para bem viver, ter\u00e1 que se harmonizar novamente com a natureza. Ou continuar a devasta\u00e7\u00e3o e sofrer as conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>Fonte: A Tarde (31\/01\/2011)-Blog Conversa Afiada<br \/>\nPostado por Ernesto Albuquerque<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade que a ind\u00fastria imobili\u00e1ria subjugou Respeito \u00e0 natureza Emiliano Jos\u00e9 (Jornalista, escritor e professor) Diante da trag\u00e9dia que envolveu o Sudeste e o Sul, e de modo especialmente tr\u00e1gico a regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, fala-se na surpresa das cat\u00e1strofes naturais, como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos j\u00e1 alcan\u00e7ado um conhecimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":""},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pYpuv-rC","jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1712"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1712"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1712\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1714,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1712\/revisions\/1714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}