{"id":1383,"date":"2010-12-07T16:44:08","date_gmt":"2010-12-07T19:44:08","guid":{"rendered":"http:\/\/radiocidadania.com.br\/blog\/?p=1383"},"modified":"2010-12-07T16:44:08","modified_gmt":"2010-12-07T19:44:08","slug":"entrevista-aids","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiocidadania.com.br\/blog\/2010\/12\/07\/entrevista-aids\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: AIDS"},"content":{"rendered":"<p>Transou sem camisinha? Compartilhou agulha? Fa\u00e7a o teste de aids<br \/>\npor Concei\u00e7\u00e3o Lemes<\/p>\n<p>1980. Primeiro caso da doen\u00e7a  no Brasil,  em S\u00e3o Paulo. \u00c9 classificado como aids somente dois anos depois.<\/p>\n<p>2010. O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estima 630 mil infectados pelo HIV no pa\u00eds. De 1980 a junho de 2010, os casos acumulados de aids (HIV-positivos que desenvolveram os sintomas da doen\u00e7a) somam 592.914. O n\u00famero de \u00f3bitos, 229.222.<\/p>\n<p>A aids ainda n\u00e3o tem cura. Por\u00e9m, a terapia antirretroviral potente (combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios rem\u00e9dios  \u2014 os chamados \u201ccoqueteis\u201d anti-HIV) e  o seu fornecimento  gratuito a todos os pacientes com aids  mudaram radicalmente essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>At\u00e9 1996, o diagn\u00f3stico de infec\u00e7\u00e3o pelo HIV equivalia praticamente \u00e0 senten\u00e7a de morte. De l\u00e1 para c\u00e1, com a progressiva descoberta de novas drogas,  a infec\u00e7\u00e3o foi se tornando cada vez mais uma doen\u00e7a cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cHoje, quando atendo um paciente rec\u00e9m-diagnosticado, que mora no Brasil e tem ades\u00e3o ao tratamento, eu posso lhe dizer  que ele vai sobreviver ao HIV\u201d, conta, animado,  ao Viomundo, o  infectologista Dirceu Greco. \u201cPor isso, quem viveu ou vive  situa\u00e7\u00f5es de risco para aids, deve fazer o teste para saber est\u00e1 infectado. Se positivo, se tratar.\u201d<\/p>\n<p>Greco  atua na \u00e1rea de aids desde meados da d\u00e9cada de 1980. Foi um dos fundadores do primeiro Servi\u00e7o de Avalia\u00e7\u00e3o de Imunodefici\u00eancias do Hospital das Cl\u00ednicas de Minas Gerais, especializado no tratamento da doen\u00e7a, em 1985. Participa da Comiss\u00e3o Nacional de DST e Aids (Cnaids) \u2013  a mais importante inst\u00e2ncia consultiva do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS)  sobre o tema \u2013,  criada em 1986. Professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), \u00e9, desde junho de 2010, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do MS.<\/p>\n<p>Confira a entrevista que ele concedeu a  esta rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Diferentes pesquisas que o brasileiro sabe que o uso da camisinha previne a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV.  Por\u00e9m, diferentes pesquisas mostram tamb\u00e9m que, por exemplo, boa parte dos jovens n\u00e3o utiliza a camisinha em todas as rela\u00e7\u00f5es sexuais. Como transformar o conhecimento em h\u00e1bito? <\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2013  Essa \u00e9 a pergunta de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares (risos)\u2026 Realmente, conhecimento nem sempre muda o comportamento. N\u00e3o \u00e9 apenas com HIV\/aids. Isso acontece com tudo na vida, do cigarro ao cinto de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Pesquisa que fizemos revela que 61% dos jovens utilizam preservativo na primeira rela\u00e7\u00e3o sexual e 30,7% usam em todas as rela\u00e7\u00f5es com parceiros fixos.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea olhar para o copo meio cheio, parece muito. S\u00e3o seis em cada dez. Mas faltam 40%!<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia entre conhecimento e pr\u00e1tica acontece em todas as faixas et\u00e1rias, em todas as classes sociais. As pessoas t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o ao sexo um comportamento que, felizmente, n\u00e3o \u00e9 mec\u00e2nico. N\u00e3o \u00e9 porque existe preservativo que se vai usar. O processo da sexualidade \u00e9 muito mais elaborado.<\/p>\n<p>Tanto que qualquer pesquisa feita com jovens mostra que 99% sabem como \u201cpega\u201d e \u201cn\u00e3o pega\u201d o HIV e que a camisinha \u00e9 importante. E por que n\u00e3o usam ou param de usar? H\u00e1 tr\u00eas explica\u00e7\u00f5es para esse comportamento.<\/p>\n<p>Primeira, a certeza de que \u201cnada ruim acontece, quando se \u00e9 jovem\u201d.<\/p>\n<p>Segunda, o fato de HIV\/aids s\u00f3 aparecer na grande imprensa em 1\u00ba de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, e no carnaval, apesar de  o Departamento ter programa de preven\u00e7\u00e3o o ano inteiro. Como \u201ceu n\u00e3o vejo\u201d ningu\u00e9m importante falecendo com HIV\/aids, no imagin\u00e1rio  aquela epidemia de morte dos anos 80 e grande parte dos 90 acabou, embora tenhamos 11 mil \u00f3bitos anuais.<\/p>\n<p>Terceira, o preconceito, senso lato. Na cabe\u00e7a de todos n\u00f3s, as pessoas feias, estranhas e diferentes s\u00e3o as \u201cproblem\u00e1ticas\u201d. S\u00f3 que o HIV n\u00e3o tem \u201cmarca\u201d.  As pessoas infectadas s\u00e3o absolutamente comuns, iguais a todo mundo.<\/p>\n<p>Ao tirar da hist\u00f3ria de HIV\/aids o preconceito que tem \u201cmarca\u201d, pode ser que, gradualmente, a gente, de tanto bater na mesma tecla, consiga fazer lembrar que o HIV\/aids existe. Fazer lembrar tamb\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 HIV\/aids que se transmite por rela\u00e7\u00e3o sexual. O HIV est\u00e1 a\u00ed, dispon\u00edvel para todo mundo.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 O HIV \u00e9 democr\u00e1tico, n\u00e3o tem preconceitos, as apar\u00eancias enganam, concorda?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2013 Com certeza. S\u00f3 que, geralmente, as pessoas esquecem isso. S\u00f3 voltam a lembrar quando algu\u00e9m pr\u00f3ximo descobre que est\u00e1 infectado pelo HIV.<\/p>\n<p>Viomundo \u2013 Objetivamente o que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade est\u00e1 fazendo para mudar essa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2013 N\u00e3o basta ter preservativo na escola, o caminho \u00e9 discutir continuamente o tema sexualidade na sala de aula. Nesse sentido, os minist\u00e9rios da Sa\u00fade e  da Educa\u00e7\u00e3o est\u00e3o desenvolvendo em conjunto o projeto Sa\u00fade e Preven\u00e7\u00e3o nas Escolas. Mais de 66 mil escolas do Brasil inteiro j\u00e1 participam.<\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia est\u00e1 apenas come\u00e7ando, mas funciona. O caminho \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o na escola,atingindo cada vez mais meninos e meninas.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 O projeto sofre resist\u00eancia?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2013 Claro.  E n\u00e3o poderia ser diferente num pa\u00eds que, em certo sentido, est\u00e1 mais conservador do que nunca, como mostrou a elei\u00e7\u00e3o presidencial deste ano.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, recentemente o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lan\u00e7ou um projeto para fabricar m\u00e1quina de preservativo a ser instalada em escolas. Fui a Santa Catarina debater assunto. A discuss\u00e3o foi enorme. De microfone em punho, v\u00e1rias pessoas esbravejaram contra a nossa proposta. N\u00e3o queriam de jeito algum a coloca\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina nas escolas, sob a alega\u00e7\u00e3o de que iria levar o \u201cmenino de 12, 13 anos\u201d a come\u00e7ar a transar.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a gente sabe que, hoje em dia, o aprendizado dos meninos sobre sexo, diferentemente da minha \u00e9poca, se d\u00e1 pela televis\u00e3o, com as novelas, as redondinhas,  as gostosinhas\u2026Bem, debaixo dos olhos dos pais.<\/p>\n<p>Viomundo \u2013 Mas apenas na sala de aula \u00e9 poss\u00edvel atingir diferentes gera\u00e7\u00f5es, viv\u00eancias, origens, condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas\u2026 <\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Com certeza. \u00c9 um processo de educa\u00e7\u00e3o continuada. E se a escola incorporar, n\u00e3o \u00e9 preciso todo ano algu\u00e9m do minist\u00e9rio ir l\u00e1 para ensinar.<\/p>\n<p>Assim como na escola se aprende  portugu\u00eas, ingl\u00eas, matem\u00e1tica,  \u00e9 preciso tamb\u00e9m na escola se aprender  sobre sexualidade no  sentido mais amplo. E o preservativo faz parte dela.<\/p>\n<p>Viomundo \u2013 No imagin\u00e1rio coletivo, aprendeu sobre camisinha, resolveu. Mas, na pr\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 bem assim, at\u00e9 porque a garotada muda\u2026 <\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Por isso a sexualidade tem de ser discutida continuamente nas turmas mais adiantadas do ensino fundamental e  ensino m\u00e9dio. O HIV, apesar da trag\u00e9dia que acarretou, trouxe benef\u00edcios. Se n\u00e3o fosse o HIV, essa discuss\u00e3o n\u00e3o estaria acontecendo.  H\u00e1 25, 30 anos j\u00e1 existia o risco para outras doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, como s\u00edfilis, hepatite B, HPV, mas era ignorado.<\/p>\n<p>Vou mais longe. Mesmo que apare\u00e7a a cura da aids ou uma vacina que elimine o HIV,  n\u00f3s teremos de continuar nos  cuidando, pois doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, complexas, graves, v\u00e3o continuar por a\u00ed.Talvez at\u00e9 se torne mais dif\u00edcil se discutir preven\u00e7\u00e3o, pois no imagin\u00e1rio das pessoas a \u00fanica doen\u00e7a complicada, grave, \u00e9 HIV\/aids, o que n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>Viomundo \u2013 O fato de a terapia antirretroviral ser hoje MUITO mais simples do que antigamente  [em 1998,  implicava tomar 20, 30 comprimidos por dia ] n\u00e3o dificulta a preven\u00e7\u00e3o, pois \u201cl\u00e1 no fundo\u201d as pessoas sabem que tem tratamento eficaz para aids?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2013 Conscientemente, ningu\u00e9m vai se deixar infectar, porque a aids tem tratamento. Todo mundo sabe o quanto \u00e9 dif\u00edcil, apesar de ter se simplificado bastante. Hoje, come\u00e7a com tr\u00eas comprimidos por dia.  Mas voc\u00ea tem raz\u00e3o. O tratamento facilitado pode levar, inconscientemente, ao relaxamento na preven\u00e7\u00e3o.  De novo, o imagin\u00e1rio coletivo, atuando contra: a aids sumiu do notici\u00e1rio, \u201ceu n\u00e3o sou de nenhum grupo dessas coisas a\u00ed\u201d,   \u201cse, por acaso, eu me infectar, tem tratamento\u201d\u2026<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Quando deve ser iniciado o tratamento antirretroviral?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Quando a pessoa  come\u00e7a a ter sintomas de aids e\/ou a contagem de c\u00e9lulas CD4 [c\u00e9lulas de defesa do organismo] no sangue est\u00e1 abaixo de 350 c\u00f3pias.  S\u00e3o tr\u00eas comprimidos por dia, at\u00e9 que surja a cura. Portanto, por ora, a pessoa vai tomar a medica\u00e7\u00e3o para o restante da vida.<\/p>\n<p>Mesmo com tr\u00eas comprimidos di\u00e1rios, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil manter o tratamento. Aposto que voc\u00ea j\u00e1 tomou algum dia amoxicilina [antibi\u00f3tico]. Pois \u00e9 grande a probabilidade de ter deixado de tomar um comprimido, porque esqueceu de levar para o trabalho,  voltou tarde para casa ou outro imprevisto. Imagine a pessoa com aids que \u00e9 obrigada a tomar rem\u00e9dios todo dia.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Do que depende a ades\u00e3o? <\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Ades\u00e3o  est\u00e1 muito relacionada n\u00e3o s\u00f3 ao recebimento do medicamento, mas \u00e0 pessoa ser bem cuidada, ter acesso ao m\u00e9dico, ao servi\u00e7o de sa\u00fade,  se tiver efeito colateral. Poder conversar tamb\u00e9m com algu\u00e9m, caso tenha alguma d\u00favida.  Esse \u00e9 o caminho. \u00c9 uma quest\u00e3o muito complexa, que a gente tem de discutir.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Hoje, quando o senhor atende um paciente rec\u00e9m-diagnosticado para HIV, o que diz a ele?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Se esse paciente mora no Brasil, onde o acesso \u00e0 terapia antirretroviral \u00e9 gratuita e universal, e tem ades\u00e3o ao tratamento, eu posso dizer que ele vai sobreviver ao HIV. Por isso, quem j\u00e1 viveu  situa\u00e7\u00f5es de risco para aids, deve fazer o teste para saber est\u00e1 infectado pelo HIV. Se positivo, se tratar. Certamente vai sobreviver ao HIV tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Viomundo \u2013A pessoa infectada pode ficar anos e anos com o HIV sem saber, j\u00e1 que inicialmente a doen\u00e7a n\u00e3o d\u00e1 sintomas. Qual o peso do diagn\u00f3stico precoce? <\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Quanto mais precocemente se souber infectado, mais cedo se cuida. E quanto mais cedo o tratamento, mais eficaz \u00e9. O sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o piora. A pessoa n\u00e3o come\u00e7a a ter infec\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias e pode viver avida inteira dela sem problema. Bem, sem problema \u00e9 exagero. Mas a pessoa pode viver a vida inteira dela com infec\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica controlada. O acesso ao tratamento diminui tamb\u00e9m a transmiss\u00e3o do HIV.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Quem deveria fazer o teste de aids? <\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2013 Pessoas com vida sexual ativa e que n\u00e3o usam preservativo  \u2014 e deveriam! Quem nunca fez o teste de aids. Tamb\u00e9m quem compartillha ou j\u00e1 compartilhou seringas e agulhas. Essas pessoas  devem fazer o teste e passar a usar preservativo em situa\u00e7\u00f5es de risco.<\/p>\n<p>Viomundo \u2013Por que essas pessoas deveriam fazer o teste? <\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Estimativas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade indicam que existem hoje no Brasil cerca de 630 mil pessoas vivendo com o HIV. Dessas, 255 mil n\u00e3o conhecem sua sorologia, pois nunca fariam o teste de aids. Do ponto de vista epidemiol\u00f3gico, o diagn\u00f3stico \u00e9 fundamental para o controle da epidemia.<\/p>\n<p>Saber precocemente se  tem o HIV permite a voc\u00ea come\u00e7ar o tratamento no momento certo e ter uma melhor qualidade de vida.  Al\u00e9m disso, m\u00e3es soropositivas podem aumentar suas chances de terem filhos sem o HIV, se forem orientadas corretamente e seguirem o tratamento recomendado durante o pr\u00e9-natal, parto e p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Quais as situa\u00e7\u00f5es de risco para o HIV?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2013   O HIV pode ser transmitido:<\/p>\n<p>\u2022 Por rela\u00e7\u00f5es sexuais desprotegidas (sem o uso do preservativo) com pessoa que voc\u00ea n\u00e3o sabe a sorologia.<\/p>\n<p>\u2022 Pelo compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas.<\/p>\n<p>\u2022 De m\u00e3e para filho durante a gesta\u00e7\u00e3o, o parto e a amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2022 Por transfus\u00e3o de sangue contaminado.<\/p>\n<p>Por isso, nessas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 importante fazer o teste de aids, para saber se est\u00e1 infectado e come\u00e7ar a se tratar, se der positivo.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Aos profissionais de sa\u00fade, o que acrescentaria?<\/p>\n<p>Dirceu Greco &#8212;  A minha conduta como professor e infectologistra \u00e9 bem simples. A todo paciente que atendo, eu pergunto se tem vida vida sexual ativa.  Se sim, digo que valeria a pena avaliar para hepatite,  s\u00edfilis e HIV.  Se houver infec\u00e7\u00e3o, a gente trata. Mas isso n\u00e3o \u00e9 comum, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, aos meus colegas, sugiro que ofere\u00e7am aos seus pacientes a possibilidade do teste. N\u00e3o pode ser  compuls\u00f3rio nem escondido.  Mas valeria a pena avaliar, pois se o paciente tiver hepatite, d\u00e1 para tratar. Sifilis, tamb\u00e9m. Se tiver HIV, quando mais cedo, melhor.  Mas reconhe\u00e7o que \u00e9 dif\u00edcil,  pois os profissionais de sa\u00fade n\u00e3o est\u00e3o habituados. Mas quanto mais falarmos sobre isso, mais chances aparecer\u00e3o de essa conversa acontecer.<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Quantas pessoas se tratam para aids hoje no Brasil?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Duzentas mil. Temos 20 medicamentos dispon\u00edveis (s\u00e3o 32 formula\u00e7\u00f5es diferentes),  sendo 10 fabricados aqui, um deles sob licen\u00e7a compuls\u00f3ria no governo Lula. Tudo isso \u00e9 SUS [Sistema \u00danico de Sa\u00fade].<\/p>\n<p>Viomundo \u2014 Se n\u00e3o houvesse o SUS no Brasil,  seria poss\u00edvel tratar essas 200 mil pessoas?<\/p>\n<p>Dirceu Greco \u2014 Seria muito mais complicado. Sempre que dou aula ou palestra sobre  como o Brasil enfrentou a epidemia de HIV\/aids,   lembro \u00e0 plateia que esse enfrentamento parece um desastre de avi\u00e3o de tr\u00e1s para a frente.No desastre de avi\u00e3o, estraga uma pe\u00e7a aqui, outra ali, e o avi\u00e3o cai. Aqui, foi o contr\u00e1rio. V\u00e1rias coisas se juntaram para o enfrentamento brasileiro dar certo.  Agora, a condi\u00e7\u00e3o sine qua non \u00e9 que a gente ter o SUS, que  \u00e9 capilarizado, atingindo todo o territ\u00f3rio nacional.  A distribui\u00e7\u00e3o dos antirretrovirais \u00e9 feita integralmente pelo SUS. Sem ele, ter\u00edamos uma dificuldade tremenda de colocar o programa em funcionamento.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a decis\u00e3o de fornecer o tratamento a todos os pacientes foi uma das mais s\u00e1bias. Quando ela foi tomada, houve muita press\u00e3o para dar o medicamento para quem n\u00e3o podia pagar e cobrar proporcionalmente de quem podia pagar. Se essa press\u00e3o tivesse vencido, teria sido um desastre.  O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade investe 400 milh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente na compra desses rem\u00e9dios. Em vez de encarecer, barateou o tratamento. N\u00e3o tem um roubo de medicamento. As farm\u00e1cias n\u00e3o t\u00eam grade. A pessoa vai roubar para fazer o que com eles? Todo mundo tem acesso!<br \/>\nFonte: Blog do Azenha<\/p>\n<p>Postado por Ernesto Albuquerque<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transou sem camisinha? Compartilhou agulha? Fa\u00e7a o teste de aids por Concei\u00e7\u00e3o Lemes 1980. Primeiro caso da doen\u00e7a no Brasil, em S\u00e3o Paulo. \u00c9 classificado como aids somente dois anos depois. 2010. O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estima 630 mil infectados pelo HIV no pa\u00eds. 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